Explorando o Chatuchak Market, em Bangkok

Não sei como funciona pra vocês, mas quando falam sobre “o maior mercado da Tailândia” ou “um dos maiores mercados do mundo” ou até “mais de 9 mil lojinhas” já me dá um frio na espinha só de imaginar. Me transporto mentalmente para a 25 de Março em época de Natal, ouço os berros e sinto até o toque nas costas da moça tentando passar um massageador nas minhas costas. Uma multidão de gente, o sofrimento para andar, o calor, uma tonelada de barraquinhas cheias de Pikachus azuis, tênis Mike e outros produtos duvidosos produzidos por alguma pessoa de pouca sorte na China.

Quando falaram que o Mercado Chatuchak aqui em Bangkok era imperdível eu tinha certeza que seria daqueles lugares que eu não ia aguentar ficar 5 minutos. Eu não tinha lido muita coisa a respeito, mas quão bom pode ser “o maior mercado da Tailândia com mais de 9 mil lojinhas” para alguém como eu? Só que, já que quando a Debbie decide alguma coisa, não tem nada que tire isso da sua cabeça, fomos até lá tirar umas fotos legais, gravar um vídeo e comer uns insetos. Esse era o plano.

Chegando lá, dá pra ver que o lugar é imenso de verdade. São milhares de lojinhas separadas em 27 seções, que vão de incensos a acessórios para animais, passando por artigos de couro e flores artificiais. Tudo que você imaginar, vai encontrar ali. E muita coisa que nunca imaginou também.

Pegamos um mapa e começamos a traçar nosso plano de dominação. Dá pra pedir o mapa nas guaritas que ficam na entrada –e recomendo que você pegue também, porque nada será mais útil que ele ali dentro. Os outros turistas nos olhavam babando de inveja e pediam ajuda o tempo todo, querendo chegar a qualquer outro lugar. Das minhas poucas pesquisas, a seção 2 era a mais famosa. “É lá que devem ter os insetos, então”. Sei lá porque raios eu tava com essa fixação por comer meu primeiro escorpião naquele dia.

Não sei se demos sorte no domingo que fomos, mas o Chatuchak não era nada como eu esperava: relativamente tranquilo de andar, bem organizado, sem gritaria e sem muito suor dos outros. Mas, também, sem insetos para comer. Uma frustração para quem veio até a Tailândia sonhando com escorpiões mal lavados e fritos em óleo velho.

Apesar do escorpião ser uma frustração que vou levar para sempre, descobrimos que a seção 2 é famosa porque ela é linda de verdade, cheia de lojinhas de produtores locais vendendo roupas e acessórios que nunca vi em nenhum outro lugar. Uma lojinha mais legal que a outra. Junto da seção 3, elas formam quase umas ruas hipsters, que parecem vielas chiques de uma cidade tipo Búzios. Só que tudo muito barato. Tão barato e tão legal que até fiquei com vontade de comprar presentes de Natal para a família inteira e mandar entregar, de tantas coisas diferentes que vimos. (Desculpa, família, mas fiquei só na vontade mesmo)

Passamos umas boas duas horas só nessas seções até nos darmos conta de que precisávamos comer. Como escorpião não estava no cardápio das barraquinhas – nunca vou superar –, o jeito foi me contentar com as várias barraquinhas pela avenida principal do mercado. Acabei comendo ovos de lula, que achei meio estranho. A Debbie comeu pão com alho, uma iguaria vegetariana super tradicional tailandesa. A delícia mesmo está dentro de um sorvete de coco que servem dentro da casca com vários toppings exóticos.

Demos uma voltinha pela seção de antiguidades, que mais parece que você esta na casa de algum colecionador asiático, cheio de estátuas de deuses que nunca vi, moedas de todo canto do mundo e miniaturas de soldados chineses. Tudo com muito ouro! Daqueles lugares que não me agradam em nada – também morro de preguiça de feiras de antiguidades, desculpa mundo – mas fazem os olhões da Debbie brilharem enquanto ela tenta adivinhar de que ano é cada coisa.


Nos achando os malandrões do Chatuchak, resolvemos entrar na parte principal do mercado. Aí, amigos, foi onde eu encontrei tudo que esperava de lá. É lá que o bicho pega. Gente gritando de um lado para o outro, pessoas vendendo pilhas de camisetas misturadas com tênis, peixe frito e frutas descascadas há uma semana e negociações mil rolando o tempo todo. Uma delícia para fugir 5 minutos depois.

Nos enfiamos nas quebradinhas dentro do mercado, entramos em uma viela com várias lojas fechadas e, do nada, surge um café maravilhoso. Parecia até uma miragem, porque tava calor demais e ele era todo branco, com ar condicionado, bem decorado, coisa fina de se ver. Entramos, recuperamos nossa dignidade, descobrimos que o cafézinho saiu até na Vogue Tailândia e pedimos uns docinhos. Para beber, apontamos um nome aleatório e veio um drink lindo pra você arrasar nas festinhas chiques por aí. Só que tudo isso muquifado em um café minúsculo no meio de um mercadão de Bangkok.

Para conhecer: Café Won Tong – drink Pimpilalai

Cinco horas depois… não dava mais. O lugar tem tanta informação visual misturada com o calor e as pessoas falando línguas diferentes que a cabeça até começa a doer. Não vimos nem metade do mercado, mas acho que já foi suficiente pra entendermos como aquilo tudo funciona e pensarmos em voltar especialmente para a seção 2 e 3, quando decidirmos fazer umas compras na Tailândia – quem nunca, né?

Se você, assim como eu, tem pavor de imaginar um dos maiores mercados do mundo, boas notícias: não é tão assustador quanto parece. E ainda dá pra você fazer descobertas bem exóticas e sair de lá contando pra todo mundo daquele lugar que nenhum dos seus amigos ouviu falar até hoje, mesmo estando dentro de um ponto turístico tão famoso. Pequenos prazeres da vida, né?

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