Como é morar em Bangkok?

Fora São Paulo, até o fim do ano passado nós só tínhamos morado em cidades da Europa, então foi quase um choque mudar para uma das maiores – e mais caóticas – cidades da Ásia. Bangkok, a capital da Tailândia foi realmente uma ~caixinha de surpresas~. Tanto pro bem, como pro mal. Vou falar um pouquinho delas por aqui naquele esquema que vocês já sabem: 5 coisas boas e 3 ruins.

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Um detalhe importante é que além de toda diferença de ser uma cidade do Sudeste Asiático, em Bangkok também foi a primeira vez em que morei sozinho. Passei 15 dias na cidade com a Dé, no começo do nosso tempo na Tailândia, mudamos para Chiang Mai, terminamos nosso relacionamento e voltei sozinho para passar mais dois meses em Bangkok.

Como sempre, tudo que escrevo aqui vem da minha experiência com a cidade. Nos primeiros 15 dias morei perto da estação Patchaburri, depois fiquei uma semana em um hotel perto da estação Chat Phrum e, por fim, morei em Ekkamai, um dos bairros mais ~hipsters e descolados~ de Bangkok. Gostei MUITO mais da minhas experiência em Ekkamai.

 

5 Coisas Boas de Morar em Bangkok

1. Outro mundo

Gosto muito de sair da zona de conforto, como vocês sabem, e Bangkok é perfeita para isso. Por ser uma cidade grande barata e internacional, mas ainda assim mantendo várias tradições locais, a capital da Tailândia é uma boa porta de entrada para a Ásia.

Por lá você vai ter contato com muita coisa diferente, como várias festas de rua – o Songkram, o festival da arminha de água, é um exemplo –, o Budismo, o culto a um rei, ou mesmo o fato de não usarem faca pra comer – você usa o garfo para colocar as coisas em cima da colher e come com a colher.

Claro que esse choque cultural pode ser bem negativo, mas tentei aproveitar ao máximo. Ele me ajuda muito a entender o mundo por outros olhos, ser mais aberto ao novo, incentiva a criatividade e melhora minha habilidade de solucionar problemas. Vai por mim e se joga!

 

2. Segurança, mesmo em país em desenvolvimento

Sempre pensei que a falta de segurança era uma coisa generalizada de todos os países dentro do grupo dos não desenvolvidos. Morar em Bangkok me fez perceber que falta de segurança é coisa, em grande parte, de países da América Latina – esta pesquisa aqui não me deixa mentir.

Sempre me senti muito seguro pelas ruas da capital tailandesa. Andava pela cidade com a mesma tranquilidade que ando em cidades da Europa, com celular na mão, 5h da manhã, sozinho e sem medo. Trabalhava da área externa de cafés com laptop, ficava de madrugada só conversando e bebendo na rua.

Eu não era o único fazendo isso, claro. Inclusive, antes de me sentir seguro em um país, sempre observo muito o que as outras pessoas estão fazendo e, por lá, o que mais via era essa sensação de liberdade mesmo. Inclusive para as mulheres. Apesar de estar em um país machista, fiquei bem surpreso em como os homens são mais respeitosos. Claro que sempre pode aparecer problemas, mas, quando entrei nesse assunto com mulheres lá, a visão era normalmente positiva.

 

3. Comunidade de expats

Talvez por ser minha experiência sozinho, talvez porque muitos estrangeiros mudam pra Bangkok também sozinhos, mas achei relativamente fácil encontrar expats que buscam gente pra sair por lá. Conheci gente de todo canto do mundo – da China a Honduras, passando pela Lituânia e Maldivas –, o que deixou toda minha experiência ainda mais da hora. Muita gente está em Bangkok estudando e outros trabalhando em um dos maiores centros econômicos do Sudeste Asiático. Para o bem e para o mal, essas comunidades de expats acabam rolando meio à parte dos tailandeses, então elas sempre estarão abertas a uns brasileirinhos/portuguesinhos no grupo.

 

4. Barata

Como qualquer cidade do Sudeste Asiático – talvez com excessão de Singapura –, Bangkok é famosa por ser muito barata. Se você viver como um local, indo onde tailandeses vão e comprando o que tailandeses compram, isso realmente é uma verdade. Dá pra viver com poucos bahts por dia, especialmente se tiver estômago para comer nas famosas barraquinhas de rua. Só tome cuidado: se quiser manter uma vida parecida a que nós, ocidentais, estamos acostumados, com os produtos que comemos – como queijos e vinhos, por exemplo – a conta pode ficar BEM cara.

Transporte por lá também é relativamente barato e cheio de opções: de barco a Uber, passando pelo caro e turístico tuki tuki e o moto táxi para os que não tem medo de morrer (fiquei viciado, sério).

 

5. Bom lugar para viajar

Bangkok tem dois aeroportos internacionais: o grande Suvarnabhumi, um dos maiores do Sudeste Asiático, e o pequeno Don Mueang. Deles fica super fácil – e, muitas vezes, barato – viajar para qualquer outro canto da região. 2h30 para Singapura, 1h30 para Hanói, nem 2h30 para Hong Kong, 3h30 para Manila.

Achava surreal como, em menos de 4 horas eu saia da porta de casa e tava na porta do hotel em Kuala Lumpur, na Malásia, por exemplo. Pelo Don Mueang ficava tudo rapidinho. Por isso mesmo, Bangkok é uma cidade ideal para quem busca uma base para viajar pelo Sudeste da Ásia.

 

3 Coisas Ruins de Morar em Bangkok

 

1. Difícil de se comunicar

Esse definitivamente é um dos motivos para sofrer em Bangkok. Apesar de ser uma cidade grande, quase ninguém fala inglês e você tem que se virar. Mas tem que se virar mesmo. Cansei de ter que usar Google Translate, apontar para figuras, fazer gestos e mímicas. Por sorte, o tailandês é um povo bem simpático e até tenta te ajudar, mas nem é sempre que rola e várias vezes você vai se perder naqueles desenhos que eles chamam de letras. Uma dica importante: aprenda os números. É facinho de aprender e será muito útil para negociar preço e indicar ruas.

Dentro desse item também vale falar que, apesar de simpático, o tailandês é um povo meio fechado dentro da sua cultura mesmo. Você sempre será tratado como um estrangeiro por lá. Tanto pro bem, como pro mal.

 

2. Caótica

Olha, eu cresci minha vida toda em São Paulo, então sempre que alguém falava de quão caótica Bangkok é eu pensava “o quão pior pode ser comparada com São Paulo?”. Nem meia hora lá e você já percebe: muito pior. O trânsito é terrivelmente pior, a cidade é mais poluída, mais suja, não tem calçadas, cheira a fritura o tempo todo. Sei que falando assim parece o inferno na terra, mas Bangkok tem seu charme. Especialmente para quem gosta de cidades grandes que precisam ser conquistadas com o tempo, como é o meu caso. De qualquer jeito, se prepara!

 

3. Volta ao passado

Esse item é bem chato. Morar em Bangkok fez eu me sentir como se estivesse voltando 30 anos pro passado em várias coisas. Beijo na rua não pode, mulher tá longe de ter os direitos que você vê no ocidente, você não vê casais gays andando de mão dada e o culto ao rei – NUNCA fale mal dele para um tailandês – é de fazer revirar os olhos. A cultura é bem tradicional, o que pode trazer umas coisas legais em termos turísticos, mas bate aquela tristeza no coração e aquela raiva de “como deixam isso acontecer em pleno 2017?”.

 

Vou ser bem sincero com você: com todo o calor infernal (mesmo no inverno) e toda parte caótica de Bangkok, fiquei feliz quando saí da cidade depois de dois meses. Agora, escrevendo isso aqui meses depois, me bateu um aperto no coração, uma saudade dessa cidade louca. Conheci muita gente legal por lá e vejo seus Facebooks o tempo todo com uma certa invejinha de “queria estar vivendo isso de novo”. Bangkok realmente conquista. Aos poucos, mas conquista. :)

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