De carro pelo sul da Alemanha: Heidelberg e Floresta Negra

Já com a mala pronta, comida no cooler e a cachorrada doidona sentindo a movimentação estranha, saímos de Berlim na sexta-feira para pegar a estrada por longas seis horas até o sul da Alemanha. Em tanto tempo dá pra inventar uma lista enorme de coisas para se entreter dentro de um espaço minúsculo enquanto o Fê presta atenção na estrada. Eu trabalhei, tirei fotos, cochilei, fizemos vídeo para um possível vlog que nunca sai, escolhi o que teríamos de almoço num menú variadíssimo, dei almoço, janta e água para a Lisa e para o Luca…enfim. É a vida na estrada, né? <3

Chegar às 10 da noite de uma sexta no centrinho de uma cidade universitária como Heidelberg só poderia nos causar uma impressão: quanta gente animada! Faziam meses que não ouvíamos pessoas falando alto nas ruas, já que Berlim é uma cidade MUITO quieta. Mesmo já escuro, deu pra enxergar mais ou menos o quanto a cidade tinha potencial de ser linda.

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Eu sei que eu me apaixono muito fácil por alguns lugares, mas tem duas cidades nessa viagem que me deixaram chorando baixinho de vontade de ficar: Heidelberg e Bamberg. Coincidentemente (ou não), foi na nossa primeira e última parada. Em minha defesa, elas são cidades um pouco maiores ali pelo sul, mas com o mesmo charme das pequenininhas. Como não ter vontade de abrir a janela na hora do café e dar de cara com essas casinhas medievais?

Ficamos hospedados no mesmo hotel que nossos amigos, o Bayrischer Hof. Para ficar no centro e durante o fim de semana a cidade é um pouco cara e foge do padrão. Em compensação, a localização do hotel é ótima e os quartos são muito bons, só faltou ter café da manhã. Eles até deixaram um cobertor super gostoso, dois pratinhos e biscoitos de cachorro para a Lisa e o Luca. Não é fofo? <3

Na manhã de sábado, só uma espiada pela janela já deu pra nos mostrar o quanto a cidade é linda. As casinhas da estilo da Baviera fazem você se sentir em um filme o tempo todo. Mesmo com a cidade bem cheia, é tudo muito lindo. Saímos para passear pela beira do rio e, já na hora do almoço, paramos na Kulturbrauerei para tomar uma cerveja incrível feita ali mesmo e almoçar. Praticamente todas as cervejas do sul seguem a lei de pureza alemã, que diz que apenas as bebidas que contenham só esses quatro ingredientes podem ser chamadas de “cerveja”: lúpulo, malte, água e trigo, então, apesar de bem diferentes entre si, é difícil ter alguma cerveja ruim. Inclusive, essa é a lei ligada a comida mais antiga do mundo(!). Prioridades, né? Na Kulturbrauerei também tem um hotel nos andares de cima que você pode se hospedar, ser feliz e alcoolizado em todos os dias que estiver na cidade. Recomendo a ideia.

Depois do almoço, fomos até o Schloss Heidelberg, o castelo medieval da cidade. Ele foi construído em 1544, destruído pela França e só parcialmente restaurado. Acabamos só entrando no pátio do castelo (7 euros), sem fazer o tour já que estava meio tarde, mas a parte que você pode entrar de graça já é bem legal e com uma vista linda da cidade toda. E foi o primeiro castelo que o Fê conheceu! <3 Depois passeamos pela Hauptstrasse, uma rua só para pedestres cheia de lojinhas legais, restaurantes e bares, tomamos um sorvete ótimo (em formato de flor!) na Amorino e fomos trabalhar um pouco do hotel. Na hora do jantar, comemos uma comida alemã no turístico e ótimo Zul Guldener Schaf, tomando a cerveja oficial de Heidelberg. Terminamos a noite no Dubliner Irish Pub, já nos preparamos para a saída na manhã do dia seguinte.

 

Menos de uma hora depois de sairmos de Heidelberg chegamos em Karlsruhe. Passeamos bastante pelo parque que rodeia o Schloss Karlsruhe (que estava em reforma), brincamos um pouco com os cachorros por ali e tiramos algumas fotos. A cidade é pequena, então você consegue ver as partes mais populares bem rápido.

Mais 40 minutos no carro e chegamos a Baden-Baden, no comecinho da Floresta Negra. Super cara, ela é bem famosa por sua água ~rejuvenescedora~ – por isso Baden, que é banho em alemão – e pelo jardim incrível da Lichtentaler Allee. Passeando por essa mesma rua você já vê o cassino, o teatro e alguns museus bacanas. Como era domingo e estávamos o tempo todo com os cachorros, acabamos só aproveitando as vistas externas mesmo. Se você quiser beber da água de lá, vá direto para a Trinkhalle Baden-Baden. A cidade tem muuuitos velhinhos e é lindíssima, cheia de flores, mas tudo é um pouco caro. Se estiver afim de esbanjar, em Baden Baden têm várias lojas famosas, restaurantes premiados, banhos terapêuticos e spas chiques. Dá pra curtir bastante. Para meros mortais, a cidade é uma graça para passar algumas horas e aproveitar a paisagem linda dali. Acho que é uma das mais bonitas do sul!

Saímos de Baden Baden rumo ao sul pela B500, no trecho que eles chamam de Schwarzwaldhochstraße – estrada do alto da Floresta Negra. O caminho é bem bonito, com vistas cheias de névoa do alto das montanhas. Ah! Os nomes você consegue acostumar bem mais ou menos, mas o GPS em português vai te ajudar bastante.

Por essa estrada é possível dar uma paradinha em Mummelsee, um lago que parece ser bem bonito, mas preste bastante atenção onde ele fica. Como estávamos sem internet (e GPS), acabamos passando direto e tendo que deixar pra uma próxima viagem.


A Schwazwaldhochstraße (saúde!) termina em Freudenstadt, uma cidadezinha que foi bem destruída na II Guerra. Aí seguimos a Schwarzwald-Tälerstrasse – estrada dos vales da Floresta Negra –, passando pelas cidadezinhas cheias de casas enxaimel, daquele jeitinho que você espera do sul da Alemanha.

Essa estrada segue pelo Vale de Kinzig, onde passamos rapidinho por Alpirsbach – que, reza a lenda bizarra, recebeu esse nome quando um padre bêbado derrubou toda sua cerveja no rio e gritou “All Bier is in den Bach!” (“Toda cerveja está no rio!”) – e Schiltach.

Chegamos já meio tarde em Schiltach, mas a tempo de ver as casinhas de enxaimel no centrinho medieval. Como um bom domingo a noite em qualquer cidade pequena do interior, não tinha uma viva alma na rua e tudo estava fechado. Só tiramos umas fotos, demos uma volta de carro e fomos embora até o destino final do dia para descansar. Vale a pena passar por lá de verdade quando ainda estiver sol para se sentir dentro de uma caixinha de chocolates.

Triberg

Chegamos em Triberg durante a noite e dormimos num hotel bem simples, o Zum Baren Triberg. A localização dele é super boa e o quarto, que não tem nada demais – nem pro bem, nem pro mal –, foi o mais barato da viagem inteira. Lá recebemos um ticket da cidade que dá entrada gratuita na cachoeira, desconto em passagem de ônibus e outros benefícios para turistas, bem bacana.

Triberg é uma cidade pequena bem no meio da Floresta Negra, que dá pra conhecer a pé em umas quatro horas. Na manhã seguinte, fomos passear pelo centro e conhecer as lojas com milhares de relógios cuco. Almoçamos ~especialidades da Floresta Negra~ no Landgasthof zur Lilie, logo ao lado da entrada da cachoeira, e depois subimos para ver a maior cachoeira da Alemanha. No fim, não é nada incrível e você nem pode entrar propriamente nela, mas já que você está aqui, vale o passeio.


Saindo de lá, passamos na Kuckuckuhren e compramos um cuco pequenininho para nossa casa. Eeeee! Voltando para o carro paramos no Café Schäfer, que dizem ser o lugar que surgiu a receita do bolo floresta negra original. Ele é bom, bem alcoólico e não muito doce, com uns pedações de frutas vermelhas e um pouco diferente do que estamos acostumados. O Fê, que não gosta de bolo, adorou. Mas o que fez o meu coração derreter de amor foi um pedaço de torta de blueberries que levei pra comer mais tarde, cheíssimo de frutinhas e que é o doce mais maravilhoso que comi nos últimos tempos. Se for até lá na época da fruta, coma o floresta negra por tradição, mas pegue um pedaço da torta de blueberries. Mesmo. Tô salivando só de lembrar.

De Triberg fomos sentido a Lindau passando pelo Bodensee (Lago de Constança), um lago que fica na fronteira da Alemanha com a Suíça e a Áustria. No próximo post vamos falar melhor dali e da Alpenstraße!

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