De carro pelo sul da Alemanha: Rota Romântica e Bamberg

Saindo do Neuschwanstein já fomos direto sentido a Rota Romântica (Romantische Strasse) para seguir viagem. Só que passear o dia todo por castelos cansa, e já estávamos no fim do dia, então acabamos parando num hotel de beira de estrada bem ali perto dos castelos. Ficamos hospedados no Hotel Gasthof Negele, logo na entrada da cidade de Hohenfurch. Ele tem um restaurante enorme no primeiro andar e os outros dois acima são quartos de hotéis. Isso poderia ser uma boa ideia, mas todo o lugar estava infestado com cheiro de gordura. Comida alemã, né? Pelo menos o quarto era OK, tinha café da manhã e era logo ao lado da estrada que seguiríamos no dia seguinte.

Esse post é uma continuação da série #MonstrinhosNaAutobahn, que conta sobre nossa viagem pelo Sul da Alemanha. Para ler o post anterior, clique aqui.

 

A Rota Romântica é uma estrada de 350km que passa por 27 cidadezinhas alemãs, muitas delas medievais. Na própria estrada você vê as placas indicando a Romantische Strasse, mas é só procurar pela B25 no GPS e seguir por ali. Depois das guerras, muitas das cidades que a estrada atravessa permaneceram quase intactas, e a rota foi criada justamente para incentivar o turismo por ali, mostrando que a Alemanha ainda vivia. Ela começa em Füssen, antes dos castelos, e termina em Würzburg.

Landsberg Am Lech

Saindo do hotel, fomos direto para Landsberg Am Lech, uma das cidades mais representativas do nazismo na Alemanha. Ali foi um dos lugares que iniciaram a Juventude Hitlerista, que treinava crianças e adolescentes para agir em prol do nazismo, foi onde Hitler ficou preso em 1924, quando escreveu o Mein Kampf, o livro alemão mais vendido de todos os tempos, e também onde vários participantes do governo nazista foram executados.

O centro da cidade é pequeno. Praticamente só a praça principal da cidade, a igreja, a muralha que separava a cidade velha da cidade nova e… é isso. Mesmo assim, é muito legal ver o Bayertor, um dos portões da cidade, e imaginar como que era na época em que foi construído, em 1425.

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Os passeios históricos são praticamente inexistentes, então acabamos não fazendo nada para conhecer mais sobre o passado da cidade. Ela é bem bonita e super orgulhosa dos prédios centenários, mas em no máximo duas horas já dá pra você conhecer tudo por ali.

Schloss Harburg

Seguindo a Rota Romântica para Dinkelsbühl, fizemos uma parada no Schloss Harburg. Esse castelo, construído em 1150 (!), é bem menos imponente que os outros dois que conhecemos no dia anterior, mas parece bem mais real e menos montado para turistas, o que foi uma surpresa bem legal! Reza a lenda que o Michael Jackson ficou tão apaixonado por ele que tentou compra-lo, mas não rolou.

Como o castelo quase não foi danificado durante as guerras, essa sensação de “castelo de verdade” é muito presente. Ali dentro também tem um pequeno cemitério judeu, um biergarten, um restaurante e até um hotel, para quem quiser dar uma pausa na viagem. Parece que a qualquer momento vai entrar uma cavalaria pelos portões de entrada! É uma sensação bem surreal.

Dinkelsbühl

De lá, seguimos para Dinkelsbühl ainda pela Rota Romântica. Ouça a gente: essa é uma das paradas obrigatórias dessa viagem. A cidade é uma das mais preservadas de toda a Alemanha, muito, muito medieval, fechada por muralhas e com portões praticamente intactos.

Ficamos por ali por bastante tempo, mas ficaríamos mais facilmente. Passeamos por várias ruazinhas, tiramos muitas fotos e fomos almoçar. O objetivo era ir no Weib’s Brauhaus, porque lá tem uma cerveja da casa que dizem ser ótima, além de pratos feitos com ela, mas o lugar estava fechado. :( Acabamos no Meiser’s, um restaurante um pouco caro, mas já esperado para uma cidade tão turística. Uma coisa que nos frustrou um pouco é que chegamos lá pelas 15h-16h e até resolvermos comer alguma coisa já estava quase tudo fechado, mesmo em alta temporada. Essas cidadezinhas são todas assim mesmo.

De qualquer forma, Dinkelsbühl foi uma das cidades mais bonitas que conhecemos nessa viagem. Vale muito a pena ficar algumas horas explorando suas ruazinhas.

Rothenburg ob der Tauber

Para variar, chegamos em Rothenburg atrasados, já quase de noite, mas com luz do dia e vários turistas por todos os lados. Essa é a cidade mais famosa da Rota Romântica– até a capa do nosso guia da Alemanha é com uma foto daqui. Ela também é toda contornada por muros da época medieval e construções históricas, mas bem adaptada para o turismo local.

Foi ali que experimentamos a famosa Schneeball (bola de neve), um doce típico da cidade feito de massa enrolada no formato de uma bola, frita e coberta por quase qualquer coisa que você possa imaginar: açúcar de confeiteiro, chocolate, pistache, nozes…infinitos! Em Rothenburg você vai encontrar vários lugares vendendo dezenas de sabores diferentes desse doce. Nós compramos um na Diller Schneeballenträume para experimentar, e só pra isso mesmo, porque achamos o doce bem ruinzinho. Muita massa e pouco doce, mas talvez fresquinho ele fique mais gostoso, sei lá. De qualquer forma, uma vez na cidade natal dele, vale a tentativa.

Junto com a Schneeball, que é um doce típico da época de natal para os alemães do sul, você também encontra lojas para comprar decoração para essa época. Até quem não liga para o natal fica louco em pleno Agosto! Pena que tudo é tão caro. Eu queria muito levar um quebra nozes, mas não achei nada com preço aceitável.

Apesar de ser a cidade com mais turistas de toda Rota Romântica – o que, junto de todas as construções que fingem ser mais antigas do que realmente são, dão a ela uma cara de Disney medieval –,  é muito lindo andar por Rothenberg e curtiríamos ainda mais se não tivéssemos chego tão tarde.

Würzburg

Saindo de Rothenburg, fomos direto para nosso hotel em Würzburg. A última cidade da Rota Romântica é mais urbana, pouco medieval comparada as outras, o que nos desanimou um pouco, mas a gente confessa que só passamos muito rapidinho por ela.  A única coisa que conseguimos ver foram as vinícolas enormes rodeando a cidade, que é uma coisa bem impressionante. Eles tem alguns tours por elas, e o vinho branco de Würzburg é super famoso.

Claro que fomos atrás de umas garrafas pra comprar e, graças ao GPS do carro, acabamos caindo no centro da cidade, naquele tipo de rua que te dá desespero porque você não sabe se pode ou não andar por lá, com tram (tipo bonde) quase passando em cima do seu carro e um monte de turistas olhando pra você com aquela cara de WTF. Saímos correndo da cidade.

A saída rápida também teve um motivo extra: nós decidimos, bem de última hora, que daríamos uma passada em Bamberg, super conhecida pelas suas cervejas. Não tem melhor explicação para querer nos levar até lá, né?

Essa cidade, para mim, é sem palavras. Ela é maior do que quase todas as outras que passamos, mas tão charmosa quanto. Quando chegamos, suas ruas estavam cheias de pessoas almoçando, bebendo cervejas diferentes, num clima maravilhoso. A cidade é lindíssima, cheia de lugares com cervejas artesanais e comidas típicas da região.

Fomos almoçar direto no Schlenkerla, que produz uma smoky beer sensacional, de mesmo nome do restaurante, que é bem diferente de todas que eu já tinha provado. O restaurante tem várias opções incríveis com carne – o Fê comeu chorando a cebola recheada de carne, que é a grande especialidade – e só algumas vegetarianas, mas vá até lá pela cerveja. Mesmo. O espaço todo é bem rústico, e se você tiver a sorte de achar um lugar na parte externa lá no fundo, melhor ainda.

Saindo de lá, demos uma passada rápida em uma lojinha de vinhos para comprar os vinhos de Würzburg, já que saímos tão corridos da cidade. Uma senhorinha super simpática conseguiu compreender nosso alemão meia boca e nos deu duas sugestões de vinhos brancos para levarmos para casa. Até agora, só abrimos uma das garrafas, mas ela já valeu a pena para mostrar que a senhorinha entende do negócio. Uma coisa bem característica dos vinhos de lá é que a garrafa é num formato diferente, meio de gota. Não sei se é exclusividade de Würzburg, mas todos os vinhos que prestei atenção com esse formato eram de lá.

De lá, sofremos para escolher outra das centenas de cervejarias artesanais por ali, mas acabamos na Klosterbräu Bamberg. Um lugar super tradicional, com meia dúzia de mesinhas na parte externa e um cantinho com pouco sol esperando por nós. Ao contrário da Schlenkerla, os arredores da Klosterbräu estavam bem tranquilos, então foi um lugar delicioso para passarmos as últimas horas da viagem.

Voltando para o carro, passeamos mais um pouco pelas ruazinhas de lá, querendo parar em todos os lugares para conhecer melhor. Enrolamos algum tempo até a cerveja ir embora, e mesmo que sabendo que não deveríamos, ficamos bem tentados a alugarmos mais um dia de carro e passarmos a noite nessa cidade incrível. Mostrando nossa maturidade para não fazermos dívidas, saímos de Bamberg rumo a Berlim por longas 5 horas de estrada. Sdds Bamberg.

E esse foi o fim dos #MonstrinhosNaAutobahn! Olhando todas essas fotos lindas já dá saudades de toda a liberdade que uma roadtrip dá, te levando para vários lugares sem você nem perceber, só seguindo o fluxo. Já pode morar em Bamberg? Já pode fazer outra? <3

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