Um ano de estrada

Há exatamente um ano nós estávamos colocando toda a nossa vida dentro de malas e pegando um avião alemão para viver pelo mundo. Estávamos estressados, com medo, cheios de questões e extremamente ansiosos por tudo que estava por vir. Não sabíamos muito bem para onde estávamos indo, não sabíamos onde queríamos chegar ou qual caminho nossa vida iria seguir.

Exatamente um ano depois, estamos escrevendo esse post de um café em Barcelona, morando num centro turístico bem pertinho da praia, com a Lisa e o Luca infinitamente mais educados, entendendo parte do que os alemães ao nosso redor dizem, com vários leitores legais nos acompanhando pelo blog, estudando desenho, meditação e programação, correndo na praia, viciados em grão de bico, engrenando numa terceira língua de verdade, aguardando ansiosamente o verão chegar, entregando um trabalho para uma marca enorme e com um pássaro filhote hospedado dentro do nosso banheiro.

Se há um ano alguém nos perguntasse o que estaríamos fazendo no dia 8 de Abril de 2015, temos certeza absoluta que essa resposta seria totalmente diferente. E isso é justamente o que tornou nossa vida tão mais legal no último ano: a imprevisibilidade. Esse é o maior presente que ganhamos ao termos nos tornado nômades.

Se tem uma coisa que aprendemos nesse ano é que a vida muda a gente. Acima disso, aprendemos que a gente também pode mudar a vida. Podemos mudar de emprego, de sonhos, vontades, estilo de falar e tudo que acharmos legal. Nós podemos mudar tudo. Podemos até começar do zero, se essa for a ideia. Só que, para funcionar, querer mudar é fator essencial.

Ter a possibilidade de viver em qualquer lugar, escolher uma rotina, decidir se vamos criar um hábito novo ou aprender algo diferente é muito libertador. Te dá a sensação de que você pode ser qualquer coisa no mundo. Que, daqui um ano, pode estar aprendendo a alimentar ursos polares no Canadá e vai ser fantástico. E ninguém deveria questionar essas escolhas porque “você nem gostava de frio antes!”. Talvez não gostasse mesmo. E daí?

Nesse um ano na estrada aprendemos muita coisa. Crescemos como nunca, aprendemos a nos virar em várias situações, a cozinhar coisas diferentes, criamos hábitos novos, ficamos mais próximos do que nunca, estudamos coisas novas e infinitos exemplos que falamos constantemente por aqui. Mas a principal sensação que temos desse ano é que o caminho da nossa vida não está traçado. Ele está sendo traçado por nós, agora, nesse exato momento. E que temos a liberdade de mudar de rota a qualquer hora. É só querer.

Não é sorte, não está escrito nas estrelas e não é mágica. A vida até pode, quase numa roleta russa, nos jogar uma pedra ou um presente às vezes, mas grande parte dela é decidida apenas por nós mesmos. Pelo que nós desejamos. Pelo que sonhamos e pelo que corremos atrás. Ao contrário do que diz uma música por aí, a vida, sozinha, não leva a lugar nenhum.

O mundo mostrou pra gente que você não precisa ser um só pra sempre e que existem muitas vidas para serem vividas por aí. E não é só uma mudança de país que te abre essas portas: é você mesmo.

De certo modo, essa liberdade de mudar nosso caminho é uma coisa muito louca. Se você parar pra pensar, cem por cento da forma que você vive hoje é feita de escolhas suas perante a vida, inclusive aquelas que você detesta. E a força de mudar isso tá nas suas mãos, você só precisa conseguir materializar todo esse poder. Porque, por mais assustador que isso possa parecer, quem decide essas coisas somos nós mesmos.

Há um ano nós botamos a vida nas malas e saímos de São Paulo sem nenhuma ideia do caminho que nossas vidas estavam tomando. Um ano depois, as questões só cresceram, e agora nos perguntamos o que queremos ser, onde queremos ir, o que queremos aprender e em que pessoa queremos nos transformar. E as respostas mudam o tempo todo.

Antes de nos perguntarmos onde a vida vai nos levar, nós resolvemos perguntar onde nós vamos levar a nossa vida.

Hoje, ao lado de todos vocês que nos acompanham aqui diariamente, nós trouxemos nossa vida até aqui. E o ano que vem ainda está em aberto.

Não é libertador?

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