Schliersee e Herrenchiemsee

Apesar de já termos viajado pelo sul da Alemanha há alguns meses, essa segunda viagem foi bem diferente da anterior. A começar pela paisagem, que mudou completamente do verão para o outono, com folhas amarelas, laranjas e vermelhas caindo para todos os lados. Se antes as vistas eram todas de um verde super homogêneo e que mal dava para diferenciar onde acabava uma árvore e outra começava, essa viagem nos mostrou paisagens cheias de texturas, profundidades e tonalidades diferentes a cada 5 metros, deixando tudo com uma paleta de cores de outono maravilhosa que nunca tinhamos visto antes. O outono, aliás, é uma estação lindíssima desse lado do mundo! Mesmo passando bastante frio alguns dias, todo esse visual compensa muito uma viagem nessa época.

Na nossa primeira semana ficamos hospedados em Schliersee, uma cidade com menos de 7 mil habitantes no meio dos Alpes Alemães. Dali era super fácil ir para vários lugares, seja com o carro que alugamos ou de trem. Em 40 minutos de trem você chega em Munique, dirigindo 1h você vai até Salzburg, na Áustria, em 1h no Herrenchiemsee e em 2h no Neuschwanstein. Isso, é claro, além dos vários passeios nas cidades próximas que se pode fazer em diferentes épocas e que tem vistas lindas.

A população de Schliersee é basicamente composta de velhinhos aposentados, pessoas querendo relaxar nos SPAs ou esquiar nas estações de esqui em alta temporada. Como fomos no começo de Novembro, o frio já tinha começado, mas a neve ainda não, então estava tudo bem tranquilo por lá. Conhecemos a cidade toda a pé em uma tarde, fizemos nosso vlog na beira do lago, dirigimos por algumas paisagens maravilhosas e aproveitamos para conhecer um palácio criado por Ludwig no Chiemsee (o mesmo Ludwig que contamos a história no post sobre os castelos incríveis que até a Disney se inspirou, lembram?), Munique e Salzburg, a cidade que Mozart nasceu.

Ah! Uma curiosidade: esse mastro todo listrado em branco e azul, cores da Baviera, com alguns símbolos pendurados é o Maibaum, erguido em comemoração ao 1º de Maio, dia do trabalho, como tradição alemã. Todas as cidades que passamos do estado da Baviera, o mais tradicional do país, tem um Maibaum com seus símbolos, sempre em um lugar importante para a cidade (normalmente em frente a prefeitura). Cada desenho mostra uma forma de subsistência da cidade que você está, como a criação de gado, fabricação de queijos, leite, e acontece toda uma festa ao seu redor, com cerveja, roupas típicas, salsichas e muita música quando ele é erguido– em muitos lugares de forma 100% manual, como segue a tradição.

Herremchiemsee

O Lago Chiemsee fica na Alemanha quase fronteira com a Áustria, pouco menos de 1h de distância de onde estávamos hospedados. Dentro dele ficam três ilhas, sendo a maior delas a Herremchiemsee. Dentro da ilha você encontra um dos Mosteiros mais antigos da Alemanha, um museu com artefatos do rei Ludwig II e o Palácio de Herremchiemsee. Foi ali onde o rei mais megalomaníaco de toda a Europa resolveu criar sua própria réplica do Palácio de Versalhes (da França). Ele foi o principal motivo para irmos até lá, já que foi construído para ser o “museu particular” de Ludwig, com algumas salas ainda maiores e mais rica$ que o palácio de Versalhes.

Para ir até lá, você precisa pegar um barco que leva da beira do lago até a ilha, que demora mais ou menos uns 20 minutos e custa 8 euros. Todo nosso caminho foi acompanhado por pássaros brancos lindíssimos (são gaivotas?) que voavam junto com o barco e ficavam praticamente posando para todo mundo que quisesse tirar fotos deles. Chegando lá, o ticket para entrar nas atrações também sai 8 euros, e você pode passar o dia por lá e só voltar no último barco. É óbvio que saindo do palácio pegamos o caminho errado e acabamos no meio da floresta criada a mando de Ludwig II para plantarem árvores em extinção e hospedar morcegos e alguns outros animais amigáveis, mas acabamos tirando fotos bem legais das paisagens e do pôr do sol na ilha.

palácio da ilha é o Herremchiemsee (Schloss Herremchiemsee), que começou a ser construído em 1878, mas foi interrompido sete anos depois por falta de dinheiro. Sim, essa é mais uma das construções do Ludwig que ele não conseguiu terminar por falta de dinheiro/tempo, junto com o Neuschwanstein. A ideia original era que esse palácio tivesse 70 cômodos, mas só 20 foram finalizados e são neles que podemos entrar. Mesmo com menos cômodos do que o esperado, eles não são nem um pouco modestos. Cada um tem a decoração praticamente inteira só feita de ouro, mármore e outros materiais muito, muito caros. Especialmente para aquela época. Tudo importado da França e de outros países europeus que o rei conheceu, gostou e quis ter, seja original ou réplica. Cada detalhezinho foi selecionado cuidadosamente para o museu particular de Ludwig.

E quando eu digo “particular”, é exatamente isso que eu quero dizer, porque a ideia do rei era que só ele se hospedaria nesse palácio e ninguém mais poderia entrar nas salas principais. Por exemplo: o palácio tem um quarto incrível finalizado, com cama, armários e cortinas que nunca foi feito com a intenção de que alguém dormisse nele – nem o próprio Ludwig. Era só para ele admirar. Seus cômodos ficavam em outra parte do palácio, decorados de “forma mais simples”, que ainda são absurdamente bem trabalhados. A ideia do palácio ser tão particular assim fez com que ele projetasse uma mesa com o chão móvel dentro de sua sala de jantar, que descia até o andar de baixo com a ajuda de umas engenhocas e vários trabalhadores do palácio. Uma espécie de elevador mesmo. Eles colocavam a comida, montavam a mesa e subiam de volta para o Ludwig comer. Pena que a cozinha nunca ficou pronta e o negócio era tão devagar que ela chegaria lá em cima fria.

Mas, ao contrário do Neuschwanstein, o rei até passou alguns dias por aqui: 16 dias, para ser exata. E para trazer tudo que ele quis para essas 20 salas que estão prontas, inclusive materiais e esculturas, foi gasto mais ou menos 607 milhões de reais. Tá bom pra 16 dias, né? Hahaha

Infelizmente não podemos tirar fotos de dentro do palácio, mas essa foto do German National Tourist Board já pode te dar uma ideia de como é lá dentro, e você pode ver outras fotos nesse link aqui. É surreal! As outras fotos a gente que tirou por lá.

No fim, foi um passeio que tomou um dia inteiro, porque eles estão cada vez mais curtos por aqui. O sol só está aparecendo às 8h da manhã e escurecendo às 4h da tarde! De qualquer forma, vale muito a pena conhecer o palácio e entender a grandiosidade das ideias do Ludwig, mesmo que ele passasse dos limites (todas) as vezes.

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