Bratislava: nos perdendo pelas ruas da capital da Eslováquia

Quando finalmente saímos dos jardins do Palácio de Schönbrunn, fomos dirigindo em direção ao nosso próximo destino. Em menos de uma hora, saímos da capital da Áustria e chegamos na capital da Eslováquia: Bratislava!

Apesar de estarmos bem animados para conhecer uma cidade tão diferente – encontramos pouquíssimas referências legais na internet e em guias –, quando atravessamos a fronteira já demos de cara com um monte de placas em eslovaco no meio da estrada. Era a primeira vez que estávamos em um país onde não sabíamos falar nem um “sim” ou “não”. Pânico!

Dirigir em um país que você não sabe ler absolutamente nada é meio assustador no início, mas é só seguir os princípios básicos das leis de trânsito e copiar os outros motoristas que, num geral, você se dá bem. Por essa e por outras razões, nessa viagem preferimos só usar o carro para transporte final entre uma cidade e outra, não para ficar circulando pelos lugares. Além do preço do estacionamento e do combustível acabar saindo bem mais caro, muito da essência da cidade está em andar e se perder pelas ruazinhas.

Colocamos o endereço do hostel no GPS e fomos na fé. Ficamos hospedados em um quarto privado no Patio Hostel que não é lá um hostel muito incrível, mas foi um dos melhores e mais baratos que encontramos lá. Ao menos a localização é boa e eles tem um bar no subsolo que o dono é bem gente boa, então estávamos bem.

Nos primeiros minutos dentro da nossa primeira cidade do Leste Europeu, corremos para o quarto para aprender algumas palavras em eslovaco. Oi, com licença, bom dia, desculpe, essas coisas mais simples. Caímos em uma série de vídeos bacanas que nos ajudaram e ficamos um pouquinho mais tranquilos.

Uma coisa interessante que descobrimos é que a Eslováquia é um país relativamente novo, com mais ou menos 22 anos de idade. Antes disso, a República Tcheca e a Eslováquia eram um só país, a Tchecoslováquia. Até 1989, a Tchecoslováquia era um país comunista dominado pela URSS. Depois da libertação, foi em 1993 que eles resolveram se separar amigavelmente, um fato conhecido por “Divórcio de Veludo”, e dali saíram os dois países que conhecemos hoje. É por isso que o tcheco e o eslovaco são duas línguas tão parecidas!

Logo que saímos, ficamos meio apáticos olhando a diferença entre tudo que havíamos visto até hoje e a Bratislava. Enquanto Viena era uma das cidades mais bem cuidadas e conservadas que já vimos, na Bratislava era tudo realmente antigo, com cara de original e, consequentemente, meio decadente. Depois do susto com a língua e com o contraste logo na primeira impressão, tudo começou a ficar mais legal.

Fomos almojantar no Slovak Pub, um dos lugares mais tradicionais de lá (e um dos mais turísticos, já que não tem nada muito turístico na Bratislava). Depois de passarmos vários minutos lendo as historinhas do cardápio que explicam sobre a história da Eslováquia e das várias salas do pub, pedimos um prato enorme que vinham três porções diferentes (Slovenská misa pre 2 osoby): uma de pirogi com bryndza e duas de dumplings, uma delas também com o maravilhoso bryndza, um queijo de cabra que é típico da Eslováquia. Esse almoço que nem aguentamos comer inteiro, mais duas cervejas de meio litro, deu uma conta de menos de 15 euros. Não é 1 euro como no Eurotrip, mas dá pra se divertir até num lugar bem turístico.

Foi ali que a Debbie descobriu – e enlouqueceu completamente – com o bryndza, que é feito em diferentes texturas originalmente só na Eslováquia. Quando forem até lá, não esqueçam: BRYNDZA é obrigatório.

Continuamos andando pela rua Obchodna por um tempo, até encontrarmos uma livraria enorme e super bonita. Entramos para fuçar nos livros em eslovaco, subimos as escadas e….tinha o lançamento do CD de uma cantora eslovaca mó boa, com comida e champagne de graça. Eslováquia, já te amamos!

Voltamos para o hostel porque a Debbie ainda estava doente, mas antes de dormir fomos beber uma cerveja e jogar dardos no bar do hostel com um casal de ingleses. No fim da noite, éramos dois brasileiros na Eslováquia conversando com um romeno, um finlandês e um eslovaco. Abençoado seja o inglês!

No dia seguinte, pegamos um mapa completinho no hostel com os pontos turísticos da cidade (não são muitos, né?) e fomos explorar. Antes de tudo, procuramos onde comer e fomos parar no Štúr Cafe. Aliás, quantos cafezinhos bonitos tem na Bratislava! O lugar era todo moderninho, com sanduíches e quiches deliciosos e tudo bem barato. Definitivamente, a Eslováquia era o lugar mais barato que já estivemos até o momento.

Mesmo que a Bratislava – e talvez o país todo – não seja um lugar muito turístico, nós curtimos muito explorar as ruas desconhecidas dali. Talvez tenha sido até pelo fato de lá não ser um lugar exaustivamente escavado por todo mundo que gostamos tanto de nos perder pelas ruas. E, como vocês já devem saber, nos perder pela cidade sempre é nosso tipo favorito de turismo.

Uma coisa completamente diferente entre a Eslováquia e a Alemanha é que todos os lugares tem wi-fi. Qualquer cafézinho, shopping, restaurante ou loja tem wi-fi. Então você não precisa nem se preocupar na hora de se enfiar nas ruazinhas sem ter muita noção de onde vai chegar. “Ah! Vamos pro Grasalkovičov palác!” e nos perdemos um pouquinho. “Katedrála svätého Martina agora?” e nos perdemos um pouco mais. Em cada ponto turístico a gente gosta de rodar envolta pra ver se não tem nada tão legal (ou mais) quanto o que acabamos de ver.

Ainda seguindo os pontos mais famosos de lá, fomos até Staré Mesto, o centro da cidade, e ficamos um tempão andando por algumas ruas quase abandonadas, com prédios destruídos, portas quebradas e pinturas descascando. A Bratislava tem seu centrinho bem cuidado e bonitinho, mas muitas ruas dos arredores não foram restauradas por vários anos e estão ali, logo ao lado da praça principal. Por um lado, dói ver tantas coisas tão antigas sem o menor cuidado, se deteriorando com o tempo. Por outro, é bem legal ver muita coisa antiga que realmente continua antiga, transformada pelo tempo, e que não foi excessivamente restaurada para parecer perfeita como acontece em vários lugares da Europa.

Já de noite, paramos no Foxford, mais um café lindíssimo no centro com várias comidinhas boas. Um monte de pessoas jovens trabalhando com seus laptops, grupos de adolescentes conversando e um várias pessoas bonitas. Nunca imaginamos que a Eslováquia pudesse ter tanto charme assim. :)

Na manhã seguinte, terminando de colocar as coisas no carro, a Debbie cismou de novo com o Bryndza. Fomos até o mercado e compramos um. No meio da estrada, antes de passarmos a fronteira, rolou um surto de MEU DEUS COMO VOU SOBREVIVER SÓ COM UM BRYNDZA PELO RESTO DA VIDA e lá fomos nós atrás de mais um mercado antes de chegar até a República Tcheca. Paramos em um shopping enorme, entramos e logo estranhamos a movimentação. Tinha um palco com shows de bailarinas, pessoas sorridentes andando com balões e flores nas mãos, descontos em todas as lojas, palhaços com pernas de pau e até um flash mob! hahhahah Perguntamos para um vendedor e, justo naquele dia, era o primeiro dia de abertura desse shopping gigante.

Ainda bem, porque saímos do supermercado de lá com mais 4 pacotinhos de bryndza.

 

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