Quando ter muitas opções vira um problema

Daqui mais ou menos um mês, nós só temos uma certeza na vida: o aluguel do nosso apartamento em Barcelona acaba. Isso significa que, mais uma vez, estamos em busca do próximo destino.

A ideia de estar aberta a praticamente qualquer lugar do mundo, desde que ele aceite cachorros, é um negócio realmente libertador. Mas é aquela sensação de estar tão livre, mas tão livre, que você não tem a menor ideia de onde ir. Você pode ir para absolutamente qualquer lugar que não sabe nem por onde começar. E essa é uma sensação muito maluca.

Um misto disso é pelo fato de que qualquer lugar pode ser nossa casa. O outro, é porque acima dessa possibilidade de ir para qualquer lugar, nós temos essa obrigação: você precisa ir para qualquer lugar. Qualquer lugar, exceto esse que você está nesse momento. Aí dá aquela birrinha de criança meio “agora que eu não posso, era bem aqui que eu queria ficar”.

A gente queria muito continuar em Barcelona por mais alguns meses, mas a junção da cidade extremamente turística, aluguéis caríssimos e nossos planos super em cima da hora não ajudaram em nada. E aí precisamos sair. No fim é bom, mas é ruim. E essa época da nossa vida tá uma zona que só vai se embolar ainda mais com a mudança, se não tomarmos os devidos cuidados.

Aí, para compensar a mudança de lugar, estamos procurando por uma cidade menor, mais tranquila, mais barata, mas ainda aqui na Espanha, para conseguirmos cuidar de alguns projetos que estamos levando meio nas coxas (oi, blog lindo!). Eu também quero muito, muito viver perto da praia pelos próximos dois meses. Só que, graças ao nosso péssimo planejamento de última hora, não estamos achando uma hospedagem legal e que podemos pagar aqui por perto.

E aí nossa estratégia nas últimas semanas é abrir o Airbnb, definir o valor que queremos gastar por mês, selecionar as datas e ir passeando pelo mapa dentro da Espanha.

Já fomos para o lado totalmente oposto de Barcelona, já fomos para as cidades do lado de Portugal, caímos sem querer no sul da França, fuçamos em todas as casas escondidas nas ilhas espanholas que não precisem de um carro para ir até o supermercado e voltar. Mas, nesse meio tempo, também acabamos dando um pulo na Tailândia, morrendo de vontade de voar direto para as praias pouco turísticas da Croácia ou, sei lá, sabe que pegar um avião, um carro e um ferry de 20 horas até as Ilhas Canárias não está mais me soando a pior ideia do mundo?

E agora estamos afundando na lama das opções sem ter a menor ideia do que fazer à partir do próximo mês. Estamos evitando aviões, priorizando a Espanha e temos um valor máximo definido. Mas, se a gente decidir ir para a Indonésia amanhã, eu já até chequei os preços dos voos e nem é complicado levar cachorros daqui para lá.

Entende?

Mas aí você vai rir, me xingar baixinho e dizer: mas que ÓTIMO problema para se ter. E, parcialmente, isso é realmente verdade. Apesar da gente não ter estabilidade nenhuma, a gente pediu por isso. E isso vai fazer a gente se mover, mais uma vez. O que é ótimo. Mas é meio frustrante e assustador às vezes. O tempo todo você tem que tomar decisões que vão influenciar em toda sua vida daqui pra frente, e elas só ficam mais difíceis de serem tomadas conforme você deixa pra depois. É uma instabilidade que faz qualquer outra coisa da sua vida entrar em pausa, incluindo sua sanidade, até que isso tenha sido resolvido.

Na minha cabeça sonhadora, viver em uma “casa na praia tranquila” é a ideia perfeita da casa que você abre a porta e está com os pés na areia branca. O preço é baixo, o lugar lindo e seguro, o wi-fi é rápido e o escritório fica na varanda. Aí temos uma sacadinha nos fundos com bastante grama para o Luca rolar, a Lisa vai até começar a gostar de nadar no mar, a cerveja estará sempre gelada, eu vou ter um corpinho da Victoria Secrets e ouvindo o barulho do dinheiro caindo na minha conta enquanto fico bronzeada. Essa seria minha ideia perfeita dos próximos dois meses.

Mas, alô, vamos voltar para a vida real – infelizmente, né migos? – e tentar encontrar algum lugar razoavelmente legal, que aceite cachorros e tenha, ao menos, uma certa proximidade da praia.

Nos desejem sorte.

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