Vamos parar de culpar o ano?

Você sabe. Todo ano é aquela mesma história: começamos animados dizendo como esse vai ser o nosso ano, o melhor de nossas vidas. Ufa! Finalmente o ano anterior, aquele bosta, acabou. Esse sim vai ser bom!

Aí as coisas começam a acontecer. Relacionamentos terminam, pessoas são demitidas, a economia desanda, artistas famosos morrem, os políticos estão lá roubando, um desastre natural, o boy te deixa plantada no WhatsApp esperando resposta por três dias. A vida acontece e muitas coisas não são muito legais, não são gostosas de se viver, mas é isso, continuam acontecendo. Lá se vai aquela esperança do ano incrível.

As coisas começam até que devagar. “O ano anterior ainda não sabe que acabou.” Bostas acontecem. Normalmente vem em forma de brincadeirinha. “Já pode pedir pra 20XX acabar?”. Quando você vê, mal chegamos em Março e já tem gente reclamando sobre como o ano está uma bosta. “Já pode pular pro próximo ano?” Pra quê? No ano que vem vai tudo acontecer de novo. E de novo. E de novo.

Vamos combinar uma coisa aqui entre nós? Nós não vamos reclamar do ano esse ano – assim, quase redundante mesmo. Fechou? É pra virar meta. Sempre que sentirmos aquela vontadezinha de reclamar do ano, vamos parar e soltar o mantra: “não é o ano, é o momento”.

Cada vez que você fala que o ano é uma bosta, além de correr o risco de ser o chatão da internet, só aumenta a possibilidade do ano ser realmente uma bosta. Normalmente não é o ano que está ruim. Ruim é a forma que você enxerga as bostas que acontecem na sua vida. E sim, elas sempre acontecem.

Existem 365 dias, 8.760 horas, mais de meio milhão de minutos nesse período todo que chamamos de “ano bosta”. Todos esses seus meio milhão de minutos foram bosta? Aconteceu alguma bosta? Culpa o momento, não o ano.

Quanto mais a gente ficar falando “esse 20XX tá péssimo” ou “20XX, pior ano de todos” pra cada bostinha que acontece, só vai te convencer mais e mais que é verdade. O que acontece de bom fica ali, meio largado, simplesmente porque você não está colecionando essas memórias boas – e assim não vê o volume delas todas juntas pra dizer “que ano incrível!”.

Então, repete comigo: “não existe isso de ano ruim”.
Existem 365 dias, 8760 horas, meio milhão de minutos.
Cada um deles é motivo suficiente pra você deixar o ruim para trás e tentar se agarrar em alguma coisa boa. Nem que você invente. Nem que você crie. Nem que você tenha que se esforçar muito.

Não deixe os minutos bosta se transformarem em uma hora. Não deixe as horas bosta se transformarem em um dia. Não deixe os dias bostas se transformarem em um mês. Nunca, nunquinha deixe um mês bosta se transformar em um ano. Quebre o ciclo da bosta antes que ele feda durante o seu ano inteirinho.

Larga tudo e vá fazer alguma coisa que gosta por uns minutinhos, vá curtir uma experiência que você sempre quis fazer, vá ouvir uma música que você gosta, vá resolver o seu problema pela raiz, vá fazer qualquer coisa. Só não amaldiçoa o pobre coitado do ano inteiro logo de início assim, sem dó nem piedade.

O grande segredo para não ter um ano horrível é – adivinha só? – procurar os pedaços bons de cada dia e mandar os minutos, horas, ou até dias ruins, embora pela privada. No fim, a única pilha que vai sobrar é a de coisas boas e cheirosas.

O ano nunca é feito só de momentos legais, mas também não é feito só dos ruins. Nosso foco é que precisa estar direcionado para enxergar o que foi legal. Guarde contigo só o que foi de melhor e vá acumulando, todos os dias, pequenas memórias de coisas incríveis que aconteceram.

Então, já sabe, né? Da próxima vez que der alguma bosta na sua vida, seja porque um dos caras mais incríveis que já viveram nesse planeta morreu – nos vemos por aí, Bowie! – ou porque você não está feliz no seu emprego, não mergulhe de cabeça na privada dizendo “que ano merda”. Você corre o risco de se afogar em bosta – e que morte horrível, amigo.

É isso que estamos levando pra esse comecinho de ano. Pode até não fazer com que ele seja um ano incrível, mas vai ser melhor do que muitos outros que já passaram por aqui. Disso nós temos certeza. :)

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