Praga: superando nossas expectativas

Praga é uma daquelas cidades que cansamos de ouvir elogios. Em cada foto, em cada post, em cada história de amigo os elogios iam se acumulando mais e mais. Quando começamos a pesquisar sobre ela para conhecer na nossa última viagem, já dava vontade de já fazer as malas e mudar pra lá. Como uma cidade com pouco mais de 1 milhão de habitantes pode ter tantas coisas legais juntas?

Depois de tanta propaganda, reservamos pelo menos três dias para conhecer um pouco do que tem de tão incrível ali. Mas, quase como uma memória coletiva, nós tinhamos algumas ideias e expectativas para Praga. Coisa de turista, sabe? Misturando as poucas coisas que o mundo já nos deu de informação sobre a República Tcheca com outras ideias que descobrimos nessas conversas aleatórias sobre a cidade.

No fim, algumas coisas que sabíamos de Praga já eram bem tentadoras e, o melhor: foram comprovadas:

Eu tenho uma preferência curiosa por cervejas tchecas.
Nas minhas buscas por conhecer cervejas diferentes, a minha favorita em São Paulo costumava ser a 1795. Tcheca. Fui para Londres em 2011, experimentei várias cervejas, mas a minha favorita e paixão até hoje era uma tal de Staropramen. Tcheca. Em Berlim, intercalávamos as Weissbier (cervejas de trigo, tão pesadas que valem por um pãozinho) com uma cerveja que nem era muito boa, mas era barata, chamada Urquell. Quando a compra era no supermercado, muitas vezes eu levava a Budweiser (a original, não a americana, história pra outro post!) E as duas são o que? Tchecas.
Coincidência? Acho que não.

E logo que você chega em Praga já começa a ver as milhares de propagandas de cerveja. Especialmente da Urquell, que é um orgulho para a cidade. Lá encontramos até outras duas variações de chopp Urquell que eram ótimos – e bem melhores que o Pilsner, apesar de ser “a primeira pilsner do mundo”. Das mais comuns, a nossa favorita foi mesmo é a Staropramen, que sempre bebíamos em Berlim.

Muita gente nos contou que Praga era uma cidade muito barata – especialmente quando você sabe onde ir. Conversando com um eslovaco na Bratislava, ele nos falou que quando a Tchecoslováquia virou Eslováquia e República Tcheca, o país não quis aderir a zona do euro e acabou com a coroa tcheca bastante desvalorizada. Por isso a Eslováquia é barata, mas mais cara que sua vizinha tão mais turística. Não entendemos muito bem sobre economia nos países do centro/leste europeu, mas é mais ou menos por aí.

E Praga foi realmente a cidade mais barata que já conhecemos na vida. Pela primeira vez sentimos aquela sensação de que podemos pedir todas as coisas do cardápio que ainda não ia dar nem perto do que a gente gastava em Berlim – e olha que Berlim é barato! Isso, claro, em lugares não turísticos. Não dá pra apelar também. O que facilitava muito, é que o centro da cidade mistura turistas e locais, então conseguimos encontramos alguns bares e restaurantes “normais” no meio dos lugares turísticos. Mas dalhe Foursquare, Yelp e tudo que conseguir pesquisar pra saber onde ir!

Durante a I e a II Guerras Mundiais, a República Tcheca (no caso, ainda a Tchecoslováquia) foi um dos países menos afetados pelas bombas, então tem muita coisa lá que se manteve intacta e continua de pé há muito, muito tempo. Somos loucos por essas construções antigas super bem trabalhadas, e todas as fotos de Praga mostram o quanto a cidade mistura esse tipo de coisa com detalhes mais moderninhos.

Logo que entramos na cidade já enxergamos todos esses contrastes. Uma mistura de prédios padronizados no maior estilo comunista, indústrias, construções centenárias, prédios modernos, tudo disputando os mesmos quarteirões. Além de tudo, o centro histórico de Praga é Patrimônio Universal da UNESCO e um dos mais bem conservados de toda a Europa, te deixando até meio tonto com tantas coisas lindas para olhar de uma vez.

Li A Metamorfose, do Kafka, quando era adolescente. Peguei emprestado de um cara porque ele tinha me falado super bem do Kafka e eu nunca tinha lido nada dele – porque, né, eu tinha meus 14 anos – e, ops, nunca mais devolvi (desculpa aí, Diogo!). Já reli o conto mais de uma vez, e até hoje esse e Carta ao Pai são dois livros bem marcantes pra mim. Mesmo que nós não tivéssemos tempo de fazer um roteiro kafkiano por Praga, eu tinha bastante curiosidade de conhecer a cidade que o autor nasceu e cresceu.

Lá no meio da cidade fica bem óbvia a inspiração não só de Kafka, como de vários outros escritores, artistas e compositores. Você vê músicos de rua o tempo inteiro, os cafés são cheios de pessoas jovens super animadas, os bares promovem festivais de artes nas suas salas ou expõem trabalhos de artistas…é tudo realmente muito inspirador.

Quando chegamos lá, a melhor de todas as descobertas é que todos esses pré-conceitos tão positivos eram todos verdade. Todas as expectativas que tivemos sobre Praga foram supridas.

E não é que uma cidade pequena como Praga pode ser tão bonita, turística, barata e cheia de coisas legais para fazer e conhecer? <3

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