Como é morar em Budapeste?

Hoje é dia de falar sobre como foi morar em Budapeste, na Hungria, em mais um episódio da nossa série de posts contando um pouquinho das coisas boas e ruins de cada um dos lugares que já vivemos na vida!

Ficamos na capital húngara por dois meses, especificamente no bairro de Terézváros, e foi essa a cidade com a língua mais diferente que já tivemos que enfrentar até hoje. É sobre a nossa vida nessa região que criamos essas impressões. Como sempre gostamos de lembrar, essa foi uma experiência nossa e essas foram as nossas impressões, mas outras pessoas que vivem por lá podem ter vivências completamente diferentes.

Esse é mais um post da nossa série de artigos contando um pouquinho das coisas boas e ruins de morar nas cidades que já vivemos até hoje.
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Como em todos os posts dessa série, nós falamos sobre 5 coisas boas e 3 coisas ruins sobre morar em Budapeste, mostrando os dois lados da maneira mais próxima da nossa realidade possível. Vamos nessa?

5 coisas boas x 3 coisas ruins
sobre morar na capital húngara

5 Coisas Boas sobre Morar em Budapeste:

O inglês te salva em (quase) todos os lugares

Claro que o húngaro é a língua oficial de quem mora em Budapeste, mas ficamos muito surpresos com quão bem a maioria das pessoas fala inglês por lá. Chegamos na cidade esperando sofrer horrores com a língua do diabo (como o Chico Buarque define), mas foram pouquíssimos lugares e pessoas que não conseguiam falar inglês com a gente. Mesmo as que não falavam quase nada, tentavam explicar as coisas que perguntávamos do jeito delas, fazendo mímica e nos ensinando húngaro. Fofos.

Aliás, taí outra coisa que nos surpreendeu dos húngaros: eles são muito legais! Sabemos que a Hungria é um país que apanhou muito e dizem que eles são um povo muito sofrido, mas isso se reflete justamente em pessoas que querem fazer diferente e são, na sua grande maioria, super legais com estrangeiros – até porque lá não é extremamente turístico, uma das razões pelas quais você sempre vai ter que pedir para as pessoas pararem de falar húngaro contigo e trocarem para inglês.

 

A Cidade do Equilíbrio

Falamos um pouco sobre isso nesse vlog que fizemos sobre Budapeste (clica aqui pra ver!).

Budapeste é uma cidade arborizada, mas não completamente tomada pela natureza. Tem ciclovias gigantes ocupando metade das calçadas e muita gente andando de bike, mas os carros ainda dominam a cidade e estão por toda parte. As pessoas são muito simpáticas, mas respeitam seu espaço e, apesar de olharem para mulheres na rua, costumam respeitar bastante e não tivemos grandes problemas com isso. Budapeste também é cheia de gente jovem e descolada, mas não é só tomada por hipsters, coisas alternativas e diferentonas.

Foi por causa desse balanço que acabamos apelidando Budapeste de A Cidade do Equilíbrio, porque ela não chega a ser uma coisa hipotética, cheia de natureza, bikes e espaço para as pessoas curtirem a cidade, como acontece em Berlim, mas também não é toda asfaltada, com contato quase nulo com a natureza e que quase não tem espaço para as pessoas curtirem a cidade, como acontece em São Paulo. É um balanço que sentimos que pode ser levado para outras cidades, uma coisa fazível mesmo, que mesmo a sua cidade pode se transformar.

 

Cidade jovem e moderna

Como falamos no ítem anterior, Budapeste é uma cidade super jovem e moderna, daquelas que está mudando todos os dias – e temos certeza que, seja lá quando voltarmos, ela já vai estar completamente diferente da época que vivemos ali. A Hungria deixou de ser um país socialista em 1989, há pouquíssimo tempo, e era isso que ficava martelando na nossa cabeça até chegarmos lá.

Só que Budapeste é cheíssima de cafés, lojas e restaurantes legais, uma cena moderninha super interessante que está crescendo todos os dias, um interesse ótimo por cerveja artesanal e uma economia criativa muito legal, com empreendedores jovens, pessoas criando espaços únicos dentro de construções abandonadas e uma valorização da arte que é deliciosa de se ver. É claro, a cidade ainda tem muito arroz com feijão para comer, mas é uma delícia ver como ela está crescendo para um lado super interessante – mesmo com um governo tão conservador.

Como se isso não fosse suficiente, eles ainda valorizam muito uma coisinha maravilhosa chamada: conexão! Todos os lugares têm internet, você vê pessoas sentadas trabalhando em todos os cantos, de restaurantes, passando por praças, na ilha e até no parquinho de cachorro (essa pessoa era eu, no caso). Pra quem trabalha pela internet, isso é muito maravilhoso – e pra subir as fotos no Instagram durante a viagem também.

 

Ótima para andar por aí

Budapeste é uma cidade pequena. Quando você chega e começa a anotar dicas e lugares dentro do mapa, consegue ver que tudo fica meio espalhado por vários cantos da cidade. Só que aí você traça uma rota de um lado para o outro e é tudo muito perto. De verdade. Isso faz com que você ande muito de um lado para o outro, especialmente quando o tempo está bom. A parte de Peste é toda plana e você consegue fazer um milhão de coisas, indo de um lado para o outro do centro, tudo a pé.

Nos dias de tempo ruim, o transporte público funciona bem, com tram, ônibus e metrô. Tudo bem baratinho. Mesmo que você possa demorar um pouco para chegar ao outro lado da cidade usando algum meio de transporte, ele cobre tranquilamente toda a parte central. Alguns dos transportes são meio estranhos e bem antigos – o metrô de Budapeste é o segundo mais antigo do mundo inteiro –, mas tá valendo!

 

Viver é muito barato

A Hungria é um dos países que não entrou na zona do euro, tendo até hoje a sua moeda local: o florim húngaro. Para fazer as contas, como somos de humanas, é sempre meio complicado, já que 1 euro vale mais ou menos 310 florins húngaros (para real, a conversão é mais ou menos de 1 real = 80 florins). Só o fato da moeda ser diferente do euro e sabendo da desvalorização dela já seria uma coisa bacana para o nosso bolso, mas além de tudo Budapeste é uma cidade barata por natureza. O aluguel ainda é extremamente barato se comparado com a maioria dos países europeus e os apartamentos são espaçosos, a maioria com pé direito duplo e em prédios com um tipo de pátio no centro.

A única coisa que não achamos lá muito barato em comparação com outras cidades onde já moramos é o mercado. No dia a dia, beber é muito barato, seja cerveja, vinho, drinks, limonada ou até sucos naturais. Cada um deles tá na casa dos 1-2 euros. Para comer em um restaurante legal você gasta, por casal e com bebida, entre 15 e 20 euros. Justo, né?

 

3 Coisas Ruins sobre Morar em Budapeste:

Falta diversidade

Budapeste é uma cidade com pouquíssima diversidade. Sendo brasileiros e vivendo em Berlim antes de ir pra lá, isso foi realmente muito estranho para nós dois. Como somos um casal hétero, branco e com cara de europeus, não tivemos absolutamente nenhum problema – e nem imaginaria alguma coisa diferente disso – mas nos sentimos bem estranhos por ver tão poucas pessoas negras, poucos asiáticos, poucos muçulmanos e pouca variedade étnica num geral, além de tão poucos casais gays andando abertamente de mãos dadas e quase ninguém muito diferente do comum – ignorando, claro, pessoas tatuadas, de cabelo só um pouco colorido, que não chamam muita atenção para nós, que lá até que tem bastante e parece que são bem respeitados.

Budapeste é a capital de um país cristão, muito conservador, com um governo de direita, e que teve várias tretas recentes com a crise de refugiados, então mesmo que nós não tenhamos visto nenhuma demonstração de preconceito nas ruas, tenham até alguns bares e baladas abertamente gays, acreditamos que a situação possa não ser só flores por lá para todo mundo, como foi para nós dois.

 

Nossos hábitos alimentares são muito diferente

Não se deixe enganar pela foto aí de cima. Até agora não chegamos a uma conclusão se a alimentação do húngaro é, historicamente, muito diferente da nossa mesmo, ou se nós que não nos demos bem com nenhum supermercado que frequentamos em Budapeste. Mesmo estando por lá entre Abril e Maio, a variedade de legumes que os supermercados oferecem é sempre muito pouca – até mesmo nos mercados maiores e importantes, cheios de coisas diferentes. Você não encontra muitos legumes e até grãos, como lentilha, grão de bico e feijão são vendidos em porções minúsculas, quase sem variedade nenhuma tanto de marcas como de opções. O tomate é caríssimo (prioridades, né?). Como a Debbie é vegetariana, nossa alimentação é muito baseada nesses dois lados, e era realmente complicado encontrarmos coisas legais para comprar no mercado – às vezes até em alguns restaurantes.

A cultura vegetariana está surgindo com força em Budapeste, mas muitos lugares ainda não dão opções sem carne – isso também acontece porque os húngaros comem muita carne, e carnes muito diferentes da que nós estamos acostumados. Você vê todas as opções possíveis de fígado e coração sendo vendidos em qualquer banca de carne, como a coisa a coisa mais normal do mundo.

O que mais nos salvou em Budapeste foi um mercado super local que íamos sempre comprar a comida dos cachorros e a nossa. Era tipo uma feira de rua, cheia de barraquinhas, mas em um lugar fechado e fixo, que abre todos os dias, como um mercadão municipal. Foi lá onde encontramos a melhor variedade de legumes, grãos, carnes e tudo que precisávamos, mas para quem está acostumado a ir na feira turca em Berlim – ou nas feiras comuns no Brasil – ainda é tudo, exceto a carne, bem limitado.

 

O inverno é muito pesado

Vale dizer que não enfrentamos o inverno de lá e isso vem muito do que todo húngaro falava pra gente. Budapeste tem um verão relativamente longo, do fim de Março até, mais ou menos, o meio de Setembro, e as temperaturas são muito altas, passando dos 30 graus sem grandes problemas. No inverno, no entanto, costuma nevar bastante – e o ar frio que vem da Rússia acaba só piorando tudo. Isso deve tirar boa parte do charme da cidade, como as mesinhas para fora, secando os jardins, deixando as pessoas mais dentro de casa e várias vezes impossibilitando que você saia para andar a pé, um dos maiores benefícios de se estar em uma cidade do tamanho de Budapeste.

Budapeste é uma cidade sensacional, mas a gente nunca decidiria morar por lá de vez antes de fazer um teste no inverno húngaro só para ver quão pesado ele pode ser.

 

Budapeste foi uma cidade que nos surpreendeu de forma MUITO positiva e que roubou nossos corações. Foi uma daquelas cidades que deu uma dor enorme no peito de irmos embora e teríamos passado mais tempo lá sem nem pensar duas vezes. Inclusive, já estamos aqui, pensando quando vamos conseguir dar um pulinho por lá de novo! Enquanto isso, ficamos aqui incentivando as pessoas a irem explorar essa cidade ainda tão pouco conhecida por aí.

Acreditamos muito que Budapeste está evoluindo, mudando e se transformando completamente, e que a cada dia que passa ela fica mais jovem, mais tolerante e menos conservadora, até porque a quantidade de pessoas indo para lá, de todos os cantos do mundo, está crescendo muito. Podem ter certeza que isso ainda vai mudar – e muito! – a estrutura da capital da Hungria nos próximos anos. 😃

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