Revivendo lugares em Lisboa

Tem lugares nesse mundo que nunca deveriam ser destruídos. Bares icônicos, espaços históricos, arquiteturas muito bonitas e antigas…não dá pra deixar tudo lá, mais ou menos daquele jeito? Então, de vez em quando, dá sim. Exatamente como acontece com a LX Factory, aqui em Lisboa.

Você pega um lugar antigo, cheio de história, repensa todo o espaço, recria, reforma mantendo a mesma identidade e constrói outra coisa, totalmente diferente, no mesmo lugar. E essa criação nova já nasce cheia de história pra contar, com uma arquitetura antiga sendo reaproveitada, traz pessoas e movimenta a cidade para um lugar que ninguém se importava mais. E é assim que a mágica acontece!

Logo que chegamos aqui na Europa, ficamos super surpresos de ver a forma que eles costumam reformar muitos prédios antigos: eles mantém toda a “carcaça”, sua parte externa, e destróem tudo que está dentro. E aí reconstroem tudo por dentro, mantendo a fachada antiga, mas com toda tecnologia que eles possuem agora. É BEM estranho ver esses prédios em construção, como se estivessem usando uma roupinha e esperando que eles encham tudo lá dentro.

Isso acontece em uma infinidade de lugares pelo mundo. Em Berlim, por exemplo, conhecemos um bilhão deles. Existem baladas em tudo que é lugar estranho – de usina a oficina de barcos, passando por casas de banho e o que vier aí no bolo. Em Nova York eles recriaram a High Line e até em São Paulo tem muita gente levando esse conceito, tentando manter a história da cidade viva através de suas construções icônicas – estou falando de você, Mirante 9 de Julho, seu maravilhoso.

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E foi justamente por saber que a LX Factory era o único exemplar disso aqui em Lisboa que ficamos tão empolgados para ir até lá!

O que alguns chamam da “Ilha criativa de Lisboa” nasceu em 1846 para comportar uma fábrica de tecidos em um terreno de mais de 23 mil metros quadrados. Antes, foi armazém, aí virou fábrica, virou gráfica e então foi abandonado, passando anos só ocupando espaço em Alcântara, logo embaixo da Ponte 25 de Abril – aquela que lembra um pouco a ponte de São Francisco, sabe?

Foi só em 2008 que a LX Factory reviveu, pelas mãos de um grupo de investimentos imobiliários (!!) que, enquanto espera a aprovação de um plano oficial para o terreno junto a Câmara de Lisboa, decidiram criar uma coisa diferente, sem data para acabar. E hoje ali virou um espaço cultural incrível, cheio de lojas moderninhas, restaurantes diferentes e espaços criativos de todos os tipos – desde uma escola de culinária e dança, passando por agências de publicidade, baladas, bares, uma livraria, ateliês, estúdios de tatuagem, sede de uma revista independente e uma feirinha toda estilosa aos domingos.

E sim, esse tipo de reformulação de fábricas já existe de sobra por aí, mas a LX Factory é tão grande, tão mal divulgada e tão legal que ficamos super empolgados com tudo que vimos ali e até fizemos um #PostCard, um vídeo no nosso Facebook mostrando um pouquinho de lá (clica aqui pra ver!) e vários Instagrams (tipo o nosso:

A maior dica que podemos dar sobre a LX Factory é para você entrar em cada uma das portinhas abertas que encontrar. Tem lojinhas para casa que dá vontade de levar tudo, a livraria Ler Devagar que nós amamos muito, o bolo de chocolate da Landeau (que é MARAVILHOSO), um monte de bares e restaurantes com comidas incríveis (vá antes das 15h ou depois das 20h, porque eles fecham) e um monte de graffitis legais espalhados pelas paredes e galpões.
O espaço todo é incrível, cheio de lugares diferentes e com coisas muito, muito legais.

Para não acabar o dia por ali, também fomos conhecer um antigo porto que foi renovado e se tornou a Doca de Santo Amaro, uma marina cheia de restaurantes na beira de um porto só para barcos bem pequenos. O caminho da LX Factory para lá é curto, mas não tem nenhuma sinalização e nos perdemos várias vezes pela região – o que é meio chato, já que o bairro é bem estranho e cheio de avenidas enormes.

Além dos restaurantes, na Doca de Santo Amaro também criaram quadras de tênis e você pode até aprender a velejar, se quiser – e tiver o dinheiro pra isso. O lugar tem alguns restaurantes caros e é tudo meio fresco, mas vale a pena conhecer nem que seja só pela vista incrível que tivemos de lá, bem embaixo da ponte, onde tiramos essa foto aqui embaixo. :)

Terminamos esse dia pensando no quão incrível seria ver esse tipo de movimento acontecendo em todas as cidades do mundo. Dá pra imaginar?

Poderíamos frequentar vários prédios com arquiteturas super tradicionais, remetendo a épocas diferentes e contando a história do bairro que estamos só por essas fachadas. E essas construções continuariam fazendo parte do nosso dia a dia, não estariam ali como monumentos intocáveis fechados por vidros, mas contando a nossa história por cada uma das janelas – restauradas e reformadas, mas ainda ali, de pé.

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