Como lidamos com dinheiro em casal

Vida de casal é uma coisa muito íntima. Além de você dividir o chuveiro, o banheiro, os pratos e o sofá, também tem aquela parte que nós preferíamos simplesmente ignorar, só pra não ter que pensar sobre. A principal delas é dinheiro. Mas também, convenhamos: conversar sobre dinheiro em casal é aquela coisinha chata, mas necessária, que sempre pode acabar em briga. É um assunto sério que pode ficar tenso rapidinho. E tem vezes que dá vontade de viver só de escambo, sem ter que pensar no que vai pagar nosso almoço de amanhã.

Só que quando você divide a casa, as contas e a vida com alguém, não dá pra fugir desse tipo de assunto. Conversar sobre as finanças do casal desde a hora que as coisas começam a acontecer é muito importante para ninguém ficar se sentindo injustiçado e depois, lá pra frente, acumular tudo numa gigante bola de neve e explodir, gerando brigas sem fim.

Aqui em casa, para complicar ainda mais essa conversa, nós também temos vários clientes juntos, uma empresa no nosso nome, os gastos da empresa e do blog e a nossa conta alemã. Isso tudo além das contas pessoais do banco e do Paypal, e também tudo isso da nossa empresa. Sim, é conta que não acaba mais, e sofremos um bocado até conseguirmos nos organizar da forma que, até o momento, virou a nossa favorita.

Hoje vamos contar um pouco das coisas que mais nos ajudaram a controlar nossas finanças como um casal para pagarmos nossas contas em dia, vivermos um pouco em cada lugar do mundo e, quando dá, ainda guardar um pouco para os nossos planos do futuro.

App para controle financeiro

Já faz um bom tempo que usamos o Money para controlar nossas finanças. Começamos com o app do celular, que custa menos de 2 dólares, e depois investimos no app para o Mac, que é bem caro. Ainda assim, foi um ótimo investimento para conseguirmos controlar diferentes cartões e moedas em um só lugar. Hoje usamos ele pelo celular e também no computador – a sincronização é feita pelo Dropbox, o que não é tão legal, mas foi o único que achamos que faça alguma sincronização entre apps.

Como temos contas no Brasil, no Paypal e na Alemanha, recebendo de fontes e clientes diferentes – inclusive, às vezes, de países diferentes – nós precisávamos de um sisteminha que conseguisse agrupar tudo em um lugar só. Tentamos vários outros aplicativos, tentamos planilhas no Excel e também tentamos ficar ~isentões~ e fingir que nada estava acontecendo – nada funcionou tão bem quanto o Money.

Hoje nós anotamos absolutamente tudo que gastamos no Money, da cerveja na balada até a compra de mês. Quando estamos com internet, fazemos isso no app direto pelo celular e tentamos não deixar para depois. Quando estamos sem internet, anotamos em uma nota do celular e depois passamos tudo para o computador. É claro que várias vezes acabamos esquecendo uma coisinha ou outra e isso atrapalha quando vamos fechar o mês, mas o importante é sempre ter essa cobrança de pensar “o que eu gastei hoje?” e tentar anotar o que você lembrar no aplicativo. Isso vai te abrir um mundo de conhecimento que vai dizer para onde está indo todo o seu dinheiro.

Uma vez por mês nós dois sentamos e organizamos todas as nossas finanças. Essa é a hora de definir o budget do mês, transferir dinheiro para nossas contas e ver como tudo está caminhando.

nossa conta alemã, totalmente digital

Nós só fomos abrir uma conta européia depois que decidimos usar Berlim como nossa base aqui na Europa. Procuramos bastante e escolhemos o banco mais simples para abrir conta que eu já vi na vida: o Number26. Você precisa ter um documento europeu (passaporte ou RG) para abrir uma conta nele, mas não precisa ter comprovante de residência, consegue fazer absolutamente tudo direto pelo celular e em dez minutos. Parece mágica! Mesmo eles sendo alemães, toda a comunicação com eles, o aplicativo e o site também estão em inglês.

Eles te ligam pelo Facetime para você confirmar sua identidade e te mandam o cartão que você escolher em até 2 dias úteis, no seu endereço cadastrado. O aplicativo deles é muito bom e já te ajuda muito a controlar as finanças, porque separa cada um dos seus gastos em categorias. Além de tudo, a cada transação que você fizer, recebe uma notificação do app.

Esse banco não tem agência, o que pra mim é uma coisa maravilhosa – assim NUNCA vou precisar ir até uma. Para fazer depósitos em dinheiro na conta, eles tem um monte de lugares cadastrados pelos países que trabalham. Para fazer saques, você usa qualquer caixa eletrônico e não paga nenhuma taxa em nenhum lugar do mundo (se o caixa eletrônico te cobrar, eles te reembolsam). Eles também não cobram taxa nenhuma para fazer transferências, receber dinheiro ou fazer saques.

O Number26 é uma daquelas coisas que, sempre que eu uso – fazendo login com minha impressão digital direto no celular e tudo – faz com que eu me sinta que finalmente estou vivendo no futuro.
Me parece o Nubank, no Brasil, só que com o enorme benefício que ele é uma conta de banco de verdade, com código IBAN normal e podendo fazer todas as transações comuns, não só um cartão!

Uma vez por mês nós sentamos para organizar nossa vida financeira. Temos uma tabela com todos os nossos freelas e é ali que colocamos a porcentagem do quanto cada um trabalhou em um projeto, e assim conseguimos saber exatamente quando cada um precisa ganhar no fim do mês.

Vemos se está tudo anotado dentro do Money, vemos quanto ganhamos com os freelas, analisamos nossos gastos para ver se tem alguma coisa que podemos cortar, definimos nosso budget e fazemos as transferências. É muito importante sentar pelo menos uma vez por mês juntos para vermos isso porque assim garantimos que contas, impostos e freelas estão todos em dia.

Isso aqui é mais em um mundo ideal, o qual não estamos vivendo hoje. Sempre que conseguimos nós guardamos entre 15 e 20% do quanto recebemos por mês na poupança. A poupança está longe de ser um local ideal para investir nosso dinheiro, mas como estamos sempre movimentando ele, ainda não pesquisamos sobre formas de investimento. É sempre importante ter dinheiro guardado para possíveis emergências, especialmente quando você mora fora e não tem ninguém pra ir até a sua casa te emprestar dinheiro, caso você precise para alguma coisa mais séria.

Para saber mais sobre como guardar dinheiro para viajar mais, clique aqui para ler nosso post sobre isso.

Aqui incluímos tudo que faz parte da vida dos dois: contas da casa, aluguel, gastos com os cães, viagens, supermercado, restaurantes… basicamente, tudo que os dois usufruem de alguma forma.
Normalmente dividimos todos os nossos gastos juntos igualmente porque, fazendo uma média do quanto ganhamos todos os meses, acabamos tendo salários bem parecidos. Ainda nunca fizemos isso, mas caso algum dia nosso salário esteja muito diferente um do outro, provavelmente as contas da casa também se ajustarão de acordo: quem ganha mais, também paga um pouco mais.

Mas a gente não tem aquela coisa super definidinha de, na hora de pagar um restaurante, cada um tirar dez euros do bolso e pagar metade da conta. Pra falar a verdade, nós sempre andamos só com uma carteira e cada vez um de nós saca dinheiro, porque sempre estamos juntos. Na hora de pagar, cada vez um passa em um cartão, ou pagamos naquele dinheiro da carteira, sem estresse.

No fim do mês, essa organização e a divisão é feita em casa, quando conferimos tudo no Money. Assim ninguém acaba pagando a mais (ou a menos) e dividimos tudo certinho e igualmente, até o IOF.

Quando organizamos nossos trabalhos e as nossas contas, um de nós sempre acaba tendo que transferir um pouco para o outro. E nós sempre levamos isso bem a sério – tem até uma parte específica, dentro da nossa tabela de freelas, para dinheiro que estamos devendo um para o outro. Quando um de nós não consegue pagar o outro, deixamos a dívida anotada ali. Mas sem estresse aqui também: se um não tem dinheiro pra pagar tudo naquele mês, vamos pagando aos poucos e damos nosso jeito.

Nossa ordem de prioridade é sempre pagar o aluguel e os cartões de crédito para não ficarmos com dívidas – porque nunca, jamais, queremos dever alguma coisa para o banco, e essa é sempre a prioridade máxima da casa. Se um de nós não consegue pagar tudo em um mês, o outro cobre, e aí acertamos nos meses seguintes. Depois de acertar as contas de fora é que vamos trabalhar nas contas entre nós.

Aqui acho que não tem nenhuma novidade, né? Quando um compra alguma coisa para uso próprio, como roupas, maquiagem e tal, ou até um presente para o outro, esse gasto fica registrado apenas na conta dessa pessoa – e não nas nossas contas conjuntas. Às vezes até chegamos a um usar o cartão do outro para pagar alguma coisa, mas sempre temos isso anotado e ajustamos na hora de fechar as contas no fim do mês. O mais importante é não estressar em cima disso e querer resolver tudo ali, na boca do caixa, na hora que está pagando alguma coisa. Essas separações de quem paga o que são sempre discutidas, mas em casa, no momento certo para isso.

Nós temos um valor pré definido para gastar todos os meses quando estamos em um mesmo lugar. É claro que isso acaba mudando de cidade para cidade, porque não dá para viver com o mesmo valor em Paris do que vivemos em Berlim, mas é importante tentar estabelecer uma média de gastos para que vocês não ultrapassem de jeito nenhum. Esse é o valor que você vai usar para pagar o aluguel, jantar em restaurantes, levar os cachorros no veterinário e todas as coisas do dia a dia que podem vir a acontecer. No mundo ideal, o que sobra desse valor mensal nós guardamos para reformar a casa e fazer esse tipo de coisa que não é urgente, mas dificilmente sobra alguma coisa.

O que vem de extra desse budget mensal nós guardamos uma parte e separamos outra para algum gasto maior que estamos programando, como mudar de país, alugar um carro, comprar alguma coisa mais cara para a casa ou até mudar de país.

Acho que essa é a parte mais importante na hora que um casal começa a dividir as contas da casa. Quando um de nós acha que está sendo injustiçado, quando o outro não está entendendo porque está recebendo tão pouco, enfim, quando qualquer pulga atrás da orelha surge sobre esse tema, nós não deixamos pra lá. Fazemos isso com absolutamente todas as coisas da vida para mantermos nossa sanidade mental em dia, porque moramos juntos e simplesmente não conseguimos fingir que está tudo bem. Com finanças, então, que é uma coisa super delicada, isso é ainda mais importante.

Se você acha que a divisão de gastos da casa não está justa por N motivos, é melhor sentar e conversar com seu parceiro para entender qual é a opinião dele sobre isso. Porque, se você não disser nada, também não tem como ele adivinhar, né? Acho que a honestidade aqui é a coisa mais importante – especialmente em uma questão delicada como essa.

 

Essas são algumas dicas que descobrimos depois de cinco anos de namoro, três deles morando juntos, viajando, morando em vários lugares e cuidando de dois cachorros. São coisas que já fazem parte do nosso cotidiano há algum tempo, mas podem mudar a qualquer momento também, só precisamos encontrar formas ainda melhores de lidar com nosso rico dinheirinho.

Você tem mais algumas dicas boas? Conta aqui embaixo! :)

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