Uma volta pelos bairros de Lisboa

Lisboa é daquele tipo de cidade que a gente adora: cada bairro é tão diferente do outro que parece que você está em lugares totalmente diferentes. Nos meses em que moramos na capital de Portugal, conseguimos conhecer vários deles e descobrir um pouco o que os tornam únicos. Nesse mini guia de uma das cidades mais legais da Europa, vamos dar uma passadinha por cada um dos bairros que mais gostamos pra você também aproveitar Lisboa com um local.

Vem conhecer Lisboa com a gente!

 

O bairro mais tradicional de Lisboa faz parecer que você está fazendo uma viagem no tempo. Em 1755 a cidade foi quase completamente destruída com um terremoto-tsunami-incêndio e Alfama foi uma das únicas partes que ficou de pé. Existem casas incrustadas nas pedras que devem existir muito antes de Cabralzinho pisar no Brasil.

A melhor coisa pra fazer no bairro é, definitivamente, se perder. Até porque você não vai conseguir se localizar perfeitamente bem andando pelas vielinhas. Então prepare-se para ir sem pressa e se perder em cada uma das ruazinhas apertadas do bairro. Quanto menor, melhor! Foi o que a gente fez em todas nossas vezes no bairro e recomendamos demais!

É incrível ver como Alfama parece viver numa outra época, com senhoras simpáticas pendurando suas roupas para fora e o som do fado vindo de pequenos bares. Ah! E, caso você queira se perder ainda mais, siga o fado. Especialmente se ele te levar para uma noite de fado vadio, quando os próprios moradores do bairro vão pro meio do bar cantar suas mágoas e felicidades numa versão lusitana de karaoke.

Siga pelo bairro subindo a colina e seguindo algumas das placas do Castelo de São Jorge. Vou confessar que, no tempo todo que moramos na cidade, nunca entramos no castelo, porque não parecia muito legal, mas talvez você queira conhecer uma construção criada pelos muçulmanos no século XI. Aliás, sabia que o nome Alfama vem dessa influência árabe? Eles chamavam a região de “al hamma”, que significa banhos ou fontes.

 

Passando pelo Bairro Alto de dia, a gente até encontra umas lojinhas bacanas, mas as ruas provavelmente estarão quase desertas e com copos de plástico espalhados pelo chão. De noite é que o Bairro Alto vira outra coisa! Os bares abrem as portas e as ruas lotam de gente. E não é exagero!

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No Bairro Alto todo mundo entra no bar (nem importa qual), pede uma imperial – como eles chamam o chope –, sai e fica bebendo na rua, sentado na guia e conversando com os amigos. Isso faz o bairro ficar cheio de gente pelas ruas, cheio mesmo! A gente tem um pouco de preguiça de multidão, então sempre ficávamos meio com preguiça do Bairro Alto, mas é ponto obrigatório pra pelo menos uma noite em Lisboa.

Pra forrar o estômago antes da noite, aproveite e passe na Manteigaria para comer o MELHOR pastel de nata de Lisboa (sim, melhor que aqueles de Belém, vai na nossa).

 

Nós moramos entre a região do Bairro Alto e do Chiado na nossa temporada em Lisboa e é meio maluco em como dois bairros podem ser tão diferentes tendo só algumas ruas (e vários bares) de distância. O que um tem de aparência mais acabada o outro tem de construções que parecem finalizadas ontem. Na real, elas não só parecem, como são. Se um terremoto-tsunami-incêndio não bastasse para ter destruído o Chiado em 1755, no fim da década de 1980 ainda teve um incêndio no bairro que acabou com grande parte dele e foi reconstruído de novo depois de tudo isso.

Pra quem é chegado em literatura portuguesa, o Chiado é O lugar. O bairro é conhecido como o centro do romantismo português e dá pra imaginar os escritores passando as tardes andando por lá ou sentados em um café. Pra ver isso, o centro é a Rua Garret. Além do famoso café A Brazileira, com a estátua do Fernando Pessoa na porta, lá também tem a Livraria Bertrand, que ganhou o recorde de ser a livraria mais antiga do mundo, com quase 300 anos. Só que se você quer pirar mesmo, vá para a livraria quase na frente, a Sá da Costa. Ali eles vendem uns livros super antigos! Até perguntamos pro dono qual era o mais antigo que ele tinha por lá e ele respondeu “ah, acho que é de 1460” como se não fosse nada!

Outra coisa legal do Chiado – e talvez um dos pontos turísticos que a gente mais goste de Lisboa, é o Convento do Carmo. Ele foi destruído no terremoto que quase acabou com Lisboa, matando muita gente que estava lá dentro da igreja no Dia de Todos os Santos porque o teto todinho caiu. Ao invés deles reconstruírem tudo, só renovaram algumas partes, e hoje dá pra ver suas ruínas com os arcos do que já foi a igreja gótica mais importante de Lisboa. É um cenário bem surreal! Atrás dele tem o famoso Elevador de Santa Justa. Uma dica pra quem, como a gente, não quer pagar ou pegar a fila gigante pra subir no elevador: se você só subir as escadas pra parte de cima dele ali do lado do convento, dá pra você ter a mesma vista incrível e de graça!

A Baixa é um dos lugares de Lisboa que mais sofreram com o terremoto de 1755 – a gente sabe que já está até meio repetitivo falar disso, mas pra você ver como um negócio desses pode mudar uma cidade. O bairro é um dos poucos bairros planos de Lisboa, e ele só ficou assim justamente por causa do terremoto.

Hoje a Baixa é quase um vale entre Alfama e o Bairro Alto, que fica cheia de turistas fazendo compras na Rua Augusta ou tirando fotos na frente do Arco. Aliás, é bem legal (e baratinho) subir no arco e ter essa vista 360 da cidade.

 

A Mouraria tem desde sempre o histórico de ser o bairro mais multicultural de Lisboa. Se antes era o único lugar permitido pros mouros morarem, hoje é o bairro dos imigrantes, cheio de gente de Bangladesh, China, Índia, Paquistão, Moçambique e o que mais vier. Então já dá para imaginar que a comida é boa e barata, né? Foi por lá que descobrimos esses dois restaurantes secretos.

Mesmo assim, o bairro é bem típico de Lisboa, com construções super antigas, casas com azulejos portugueses e uma longa história com o fado – dizem que foi lá que o fado nasceu, inclusive.

A Praça Martim Moniz é o centro do bairro, com uma feirinha super famosa. Quando fomos, estava rolando um karaoke oriental por lá e umas comidinhas delícia.

Se a gente fosse escolher um bairro para morar em Lisboa até cansar, com certeza seria Príncipe Real. Não só a gente, na real, já que Príncipe Real é um dos bairros mais procurados para viver por ali. Cheio de lojinhas, bares e restaurantes diferentes, é o lugar ideal para quem quer conhecer uma Lisboa mais jovem e moderna – aproveitando também pra fazer umas ~comprinhas~.

Pra começar a explorar o bairro, a gente recomenda sair da Praça do Príncipe Real mesmo. A Embaixada e a Entre Tanto, dois espaços com várias lojas autorais, que falamos nesse post aqui, ficam por lá. Aproveita e passa no Prego da Peixaria pra comer um prego – sanduíche de bife tradicional de Portugal – sensacional. É por lá também que fica o famoso Pavilhão Chinês, um bar criado no que antes era um antiquário, com uma decoração bem legal e que vale a pena mesmo conhecer!

 

O que antes era um bairro super decadente da cidade, com aquela carinha suja de bairro portuário, agora é a maior área de baladas de Lisboa. A Rua Rosa, que já foi famosa como uma zona de prostituição, também fica ali, e hoje é uma das principais regiões para sair a noite. Até há pouco tempo todo aquele canto era uma região bem acabadinha, mas pouco a pouco está se revitalizando e virando uma parte concorrida da cidade. O bairro já é recheado de bares e baladas que começam a bombar a partir das 2 da manhã – especialmente porque é a hora que os bairros do Bairro Alto precisam fechar e todo mundo migra ladeira abaixo.

Uma balada famosa que fomos lá é a Pensão Amor, que fica num antigo bordel gigante! Cada sala é totalmente diferente da outra, com uma decoração bem legal. Ela também tem uns espaços mais bar pra quem não quer ficar dançando. Mas alternativas é o que não faltam pelo bairro.

Ali na região também fica um dos espaços gastronômicos mais moderninhos de Lisboa, que junta vários dos restaurantes mais famosos da cidade em um lugar só. Já falamos do Mercado da Ribeira nesse post aqui, também chamado de Time Out Market. No fundo do espaço você ainda encontra uma loja miniatura d’A Vida Portuguesa e uma cozinha fechada, onde eles dão aulas de culinária.

 

Um pouco longe do centro, mas na lista de qualquer turista, Belém é o ~bairro dos descobrimentos~. Do porto dali, nas margens do Rio Tejo, é que saíram grande parte das caravelas que foram ocupar o mundo, incluindo a de Vasco da Gama para a Índia.

Dá pra ver claramente a riqueza roubada dos outros povos que esse período trouxe para Lisboa entrando no Mosteiro dos Jerônimos, um dos lugares mais maravilhosos onde já estivemos. E olha, você pode até não ter tempo de visitar a Torre de Belém e outra meia dúzia de pontos turísticos, mas entre no Mosteiro! Dá pra comprar um ingresso combo que dá acesso a ele e a Torre de Belém, caso queira passar o dia pelo bairro.

Falando na torre, esse cartão-postal da cidade já foi de tudo: controle aduaneiro, central de telégrafos, um farol, masmorra e até prisão política. Hoje é só um concentrado de turistas se espremendo nos corredores para ver a vista lá do alto. Mas é bacana mesmo assim.

Já falamos que o pastel de nata da Manteigaria é o melhor de Lisboa, mas é claro que é para você experimentar o da Fábrica de Pastéis de Belém, que tem “pastel de Belém” como nome registrado e ninguém mais pode usar, com receita protegida por contratos de confidencialidade e tudo! Normalmente tem uma fila imensa, mas ela é só para quem quer comprar pra viagem. Se você quiser comer ali mesmo, é só entrar direto em um dos salões imensos do lugar e provavelmente vai encontrar um lugar pra sentar.

 

Como aconteceu em muitos lugares do mundo, o Parque das Nações foi criado para uma Expo, grandes exposições públicas que foram sendo realizadas ao redor do mundo desde 1851 e muda a cara das cidades para sempre. Torre Eiffel foi construída por causa disso e o Bairro Gótico, em Barcelona, totalmente reformado também pra Expo. Até hoje, muita gente vai nesse canto de Lisboa para ver o famoso aquário, mas também vale a pena mesmo se você não tiver a intenção de ver tubarões e baleias (nosso caso). A região foi claramente criada agora, com toda uma aparência futurista e bem diferente do resto da cidade inteira.

Todos os prédios de lá são lindos, inspirados em coisas do mar (que era o tema da Expo), como a Estação do Oriente e o shopping Vasco da Gama com suas torres. O espaço todo é um grande complexo com teleférico, espaços de arte e pavilhões de exposições. Nos lembrou bastante o lindo Ciudad e de Las Artes y las Ciencias, que fomos em Valência.

Como bônus, você ainda tem vista especial do Rio Tejo, que mais parece um mar atravessado pela maior ponte da Europa, a Ponte Vasco da Gama. Pra quem tem mais tempo na cidade, vale a viagem até o Parque das Nações para conhecer uma Lisboa totalmente diferente.

 

Não seria dos bairros mais famosos de Lisboa se não fosse onde fica o Museu Gulbenkian. Passamos um dia por lá e nos pareceu um bairro mais residencial, com poucos vestígios da região cheia de palacetes que já foi. De qualquer forma, é bem gostoso andar pelas suas avenidas largas, vendo um canto da cidade que tem mais cara de cidade real mesmo. Por lá também tem o Campo Pequeno – a praça de touros da cidade que, infelizmente, além de shows, ainda abriga touradas –  e a Fonte Luminosa, com uma vista bem legal da cidade.

Vá até lá num dia mais tranquilo, sente nos lindos jardins do Museu Gulbekian (cachorros não são permitidos 😢) para ler um livro ou seu feed do Instagram e depois dê um pulo na Pastelaria Versailes, um café que existe desde 1922, para comer um dos doces por lá. Se quiser fazer compras, por lá também fica o Corte Inglês, a única loja de departamentos da cidade.

Bônus: mais pra cima de Avenidas Novas tem o Palácio dos Marqueses de Fronteira, que a gente não sabia da existência enquanto vivemos em Lisboa, mas que parece incrivelmente lindo!

 

Só de fazer esse post nós já estamos morrendo de saudades de Lisboa e de andar por todos esses bairros. Você conhece a cidade? Qual o seu bairro favorito?

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