6 coisas que você aprende viajando muito

Uma das grandes sensações quando você está viajando pela primeira vez (ou pela vigésima) é de estar aprendendo alguma coisa nova de uma forma super natural. A descoberta de um prato novo, uma palavra diferente, um sotaque divertido, alguém que se torna uma amiga da noite para o dia ou até o nome do seu novo drink favorito do mundo inteiro. Viajar e conhecer outras culturas é sinônimo de aprendizado, e da forma mais orgânica possível, e é uma delícia explorar lugares novos e ainda sair um pouco mais inteligente de cada um. Até arrisco dizer que é por causa do aprendizado que viajar é sempre tão incrível e viciante.

Depois de quase 3 anos morando em diferentes partes do mundo e viajando o tempo todo, aprendemos algumas lições que mudaram nossa forma de ver a vida. Vem entender elas com a gente!

Viajar é sobre testar e fazer coisas novas – não tenha medo!

Viajar é sinônimo de viver coisas novas: lugares, pessoas, línguas, cheiros, comidas, experiências, paisagens. Tudo é novo e tudo é único. Você até pode se manter na zona de conforto comendo no Mc Donald’s e ficar na rede de hotéis que já conhece, mas fugir de coisas novas não vai te levar muito longe – especialmente em um país desconhecido.

Fazer tudo que você estava acostumado a fazer na sua casa nem sempre vai funcionar da mesma forma. Então, antes mesmo de sair, abra a cabeça e esteja disposto, se adaptar e a mudar. Esteja disposto e animado para aprender com as coisas que encontrar pela frente. A pegar palavras de uma língua nova, experimentar a pimenta daquele lugar, testar o transporte público que todas as pessoas da cidade utilizam, descobrir hábitos e conhecer a comida que você nunca mais vai experimentar se não for ali, agora.

Novos lugares são sinônimos de novas oportunidades. Se é pra se manter na zona de conforto, melhor ficar em casa, né?

Você pode ter gastos mensais iguais aos que você gastaria na sua cidade

A principal questão quando eu falo sobre viajar muito é dinheiro. Não coincidentemente, essa também é uma das principais limitações para as pessoas que querem viajar e acabam não indo.

Como dinheiro não nasce nas nossas árvores do quintal, tivemos que aprender a viver com um budget mensal definido e nos adaptarmos com isso. E fazendo uma média, o valor que gastamos na maioria das cidades que nós moramos nos últimos 3 anos foram mais ou menos a mesma coisa que gastaríamos vivendo em São Paulo. Só que ao invés de pegarmos trânsito todos os dias e estarmos na nossa mesma rotina para o resto da vida, já moramos em Berlim (3x!), Barcelona, Córdoba, Lisboa, Budapeste e agora Tailândia. São algumas cidades bem baratas, especialmente se comparado a lugares mais turísticos, mas nem por isso são menos incríveis.

Tendo esse budget definido, conseguimos nos planejar para viver em lugares diferentes de tempos em tempos e ainda guardar uma parte do que ganhamos, que nos permite viajar para lugares mais caros por só alguns dias e até viver em partes mais caras do mundo porque economizamos em outro lugar.

E fizemos tudo isso gastando mais ou menos a mesma coisa que estávamos gastando quando vivíamos em São Paulo, só que agora vivendo ao redor do mundo. Tudo isso só pode acontecer porque temos uma prioridade sempre: planejamento. Nada aqui acontece sem planejamento e nos aprofundamos bastante sobre isso no blog (veja aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui).

Você não precisa de muita coisa pra viver

Quando decidi viver de uma mala de viagens e fui analisar cada uma das coisas que estavam no meu armário, fiquei surpresa com o quanto de tralha eu tinha acumulado na vida. Roupas que usei uma, duas vezes, papéis que achava importantes até me dar conta de que não os via há oito anos, coisinhas que você vai guardando simplesmente porque sim, sem saber muito o que está fazendo e, quando vê, precisa sempre de mais e mais espaço para tudo aquilo. É um ciclo vicioso que eu precisei quebrar para conseguir realizar o sonho de trabalhar viajando o mundo e, toda vez que faço minhas malas para o próximo destino, faço novamente.

As questões “eu amo essa coisa? ela me traz felicidade?” que Marie Kondo, uma mestre em desentulhar armários e a vida de pessoas, é uma das perguntas que eu mais faço quando abro minhas gavetas. Pode parecer maluquice, mas porquê você vai ter uma coisa na sua casa, na sua vida, na sua rotina, que você simplesmente não ama ou não usa? É claro, não inclua aqui documentos obrigatórios que você precisa guardar (dica: quando possível, armazene tudo isso digitalmente, aqui tem a dica 😉 ), mas por que você vai entrar na sua casa e ver aquela caneca do vereador que você não votou? Ou a camiseta que você comprou por impulso, nunca te caiu bem, mas você tem dó de doar – e continua experimentando de tempos em tempos só pra te frustrar várias vezes?

Seja feliz durante o processo, não só quando chegar no resultado

Sempre que sonhamos com alguma coisa, acabamos passando boa parte do tempo só esperando a hora que ela vai se realizar. Pensamos no dia exato, como vai ser, nos passos para chegar lá, em cada um dos mínimos detalhes para o grande dia.

E em uma viagem é a mesma coisa. A gente pesquisa, sonha, se prepara, compra roupa, fica na expectativa para aqueles dias serem os melhores do mundo e suprirem todas as expectativas. Com tanta ansiedade, é difícil a gente aproveitar cada pedacinho dessa pesquisa, a análise e a caça pela hospedagem perfeita. E quando viajamos demais, se a gente leva essa visão com a gente, tudo começa a ser dor de cabeça – porque planejamento é um processo longo e que pode ser bem trabalhoso sim.

Depois de uma, duas, dez viagens, você começa a entender que o processo também precisa ser parte importante de qualquer resultado. Não dá pra colocar todas as suas alegrias no dia do embarque e esquecer todos os outros dias que você passou pesquisando e analisando e passeando pelo Google Maps. Até porque, querendo ou não, isso é uma constante na vida de um viajante frequente. E é importante lembrarmos sempre o quanto o processo também é importante em qualquer objetivo na nossa vida.

Apreciar outras culturas (e a sua também)

Quanto menos uma pessoa viaja, menos ela sabe sobre o mundo ao seu redor. Mesmo com a internet, mesmo com pesquisas, mesmo com livros de história, mesmo até com o Youtube, tudo é só um espectro e a vista de uma só janela. Conhecer um lugar novo, se atrapalhar com os novos hábitos, se perder em ruas que você não entende uma palavra nas placas, sentir o cheiro das comidas, se conectar com pessoas completamente diferentes de você, isso é realmente conhecer um lugar.

Quanto mais você conhece e se conecta, mais empatia sente pelos outros. E deixa de achar que a cultura de um país é bizarra ou estranha simplesmente porque é diferente da sua. Você começa a achar interessante, até bonito, que o mundo tenha tantas particularidades que a gente não sabe até pisar em outros países.

E quando aprendemos a apreciar a cultura alheia, trocar informações com pessoas diferentes e analisar sua vida antes de colocar o pé na estrada, começamos a perceber como a nossa cultura também é rica e única. Começamos a valorizar a comida do nosso próprio país, a gostar dos diferentes sotaques e entender melhor porque somos um povo tão especial.

O dinheiro mais bem gasto da sua vida é sempre com experiências

Não me leve a mal, eu sei que guardar dinheiro é importante e necessário – tem vários posts com formas de economizar aqui no blog. Mas depois que você começa a trocar seu dinheiro por memórias que vão durar para o resto da sua vida, começa a entender que dinheiro, no fim, não foi feito pra ficar guardado para sempre. Ser gasto, sim, mas com cuidado, é claro, e também só após uma boa pesquisa. Mas de que adianta ter um monte de dinheiro no banco e nenhuma história pra contar? Quanto mais viajamos, mais percebemos o quanto é importante ter memórias boas que se acumulam nos melhores anos de nossas vidas.

No fim, caixão não tem gaveta e você não leva absolutamente nada desse mundo. Então guarde, sim, poupe, pesquise, NUNCA entre em dívidas (nunca mesmo, jamais, em nenhuma circunstância que não seja totalmente essencial), mas direcione cada um dos seus gastos para fazer com que eles valham muito mais do que os números que você tem guardados no banco.

 

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